[Editorial] Delírios da omnipotência

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

1A oração pela paz, disse o Papa Leão XIV, “é um baluarte contra o delírio de omnipotência que nos rodeia e que se está a tornar cada vez mais imprevisível e agressivo”. Mesmo sem citar destinatário, todo o mundo percebe de onde vem o “delírio de omnipotência”, aliás acompanhado de outros delírios não menos perturbadores como o apelo “à guerra santa”, que coloca os atores políticos americanos ao mesmo nível de indigência moral dos “ayatollas” do regime dito teocrático que pretendem combater.
O que Trump disse e escreveu sobre o seu patrício que é hoje o chefe da Igreja Católica é revelador da inacreditável baixeza moral e intelectual que grassa por aquelas bandas, a qual obriga a recordar o passado de décadas e mesmo de séculos. Por isso, alguém lembrou que “nem mesmo Hitler ou Mussolini atacaram o Papa tão diretamente e tão abertamente”.
E sobre as preces do Secretário da Guerra, invocando o divino em discursos de morte, o próprio Papa recordou palavras de profeta, escritas cerca de 700 anos antes de Cristo: “podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue».
O cenário político internacional é um perigo para a humanidade e apresenta, de acordo com vários pensadores, similitudes com o que existia pouco antes da segunda guerra mundial: Churchill recusou-se, contra a opinião da maioria dos seus pares, a ser um apaziguador dos delírios de grandeza alemães. E enfrentou-os.
A Europa tem de escolher entre ser cúmplice dos senhores da guerra e afirmar-se pela humanidade. A estátua da liberdade saiu da Europa para a América com a mensagem “a liberdade esclarece o mundo”. O papa, um cidadão norte-americano, é uma referência moral e de liberdade que a Europa devia acompanhar em pleno para, outra vez, esclarecer o mundo.

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