[Destaque] Vila das Aves a ‘régua e esquadro’

Crescimento urbanístico da vila deve passar pela elaboração de um guião de prioridades para as próximas décadas que molde as ambições dos decisores políticos e o imaginário dos avenses. O Entre Margens conversou com três especialistas que apontam as necessidades e os desejos para o futuro de uma vila que pode ser “exemplo”.

O que quer a Vila das Aves ser? O futuro está aí a chegar, mais rápido do que se possa imaginar e quem não subir a bordo, corre o risco de ficar irremediavelmente apeado. Vila das Aves não pode correr o risco de perder este comboio. Se a pandemia de covid-19 está a servir de ponto de restauro, para o qual os historiadores certamente olharão como a divisão entre passado e o que quer que seja que virá a seguir, há que começar já a definir que futuro será esse.

Nas últimas cerca de três décadas completou-se um ciclo onde o principal objetivo foi estabelecer um núcleo urbano “central” na vila que servisse de referência urbanística. Ora, esse processo está praticamente esgotado. Chegou agora o tempo de olhar em frente e pensar nas etapas seguintes de desenvolvimento.

“Vila das Aves precisa de ser toda redesenhada”. Quem o diz é António Luís Carvalho, um dos responsáveis pelo processo de há três décadas, engenheiro e empresário no ramo da construção durante grande parte desse período. “Há quarteirões inteiros a necessitar de requalificações profundas. E requalificar não significa repavimentar. É preciso pensar e fazer projetos com qualidade, porque nada disto se faz num mandato.”

O apelo de António Luís Carvalho é para que se compile uma espécie de guião para a próxima década onde fiquem definidos, ‘preto no branco’, os grandes eixos de atuação, caraterísticas pretendidas e as intervenções em grande escala. A partir daí caberá aos políticos eleitos priorizar, colocando no terreno o que for possível a cada momento, sempre com um olho no plano integral.

“Vila das Aves precisa de ser toda redesenhada”

António Luís Carvalho

Um plano que deve surgir da discussão em praça pública, não apenas cozinhado num qualquer escritório. Este é ponto de partida para Fernando Torres, arquiteto avense que vive e trabalha em Melbourne, Austrália, desde 2014.

“Um dos erros comuns quando se planeia território é achar que uma visão não deve ser discutida”, referiu. “Temos que saber o que a população quer. Isto faz com que a população seja ativa na conquista dessas propostas.”

As grandes transformações na Vila das Aves têm surgido da iniciativa privada, algo comum um pouco por todo o país, apropriando a estratégia que deve ser pública aos interesses privados, quando deveria ser o contrário. É preciso alterar este paradigma. Como? Juntando as pessoas à mesa.

De acordo com Carlos Ferreira, jovem arquiteto residente em Vila das Aves há doze anos, a discussão e planeamento deve incluir todos os atores e agentes para criar essa estratégia comum: detentores de edifícios e proprietários de terrenos, políticos, possíveis promotores imobiliários, arquitetos, engenheiros, até filósofos e sociólogos. Pensar em escala macro e realmente perceber o que pode ser a vila.

“É preciso encontrar o equilíbrio entre a política de proximidade, de resolução de problemas do quotidiano e a visão de futuro. Trabalhar nos dois campos de batalha para que ambos cheguem a um ponto comum de estabilidade”, apontou. Não sendo natural de Vila das Aves, Carlos Ferreira enalteceu o sentimento de pertença da comunidade avense, característica que deve ser central para este processo. “A estratégia deve passar por usar o bairrismo da população com a identidade morfológica da localização geográfica apoiada nos rios, percebendo como se usam os dois para criar um elemento aglutinador”, acrescentou.

[Ler Reportagem Completa na Edição 674 do Entre Margens]

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