Há escolhas políticas que envelhecem rapidamente e outras que, ao fim de quatro décadas, continuam a provar o seu valor. A adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, em 1 de janeiro de 1986, pertence claramente ao segundo grupo.
Quarenta anos depois da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, há uma conclusão que permanece difícil de contestar: a integração europeia foi uma das decisões mais importantes da nossa democracia e continua hoje a ser essencial para o futuro do país.
Em 1986, Portugal encontrava-se ainda num período de consolidação democrática, enquanto procurava modernizar a economia e aproximar-se dos níveis de desenvolvimento dos restantes países europeus.
A entrada na Europa representou muito mais do que um acordo económico. Representou estabilidade, abertura ao mundo e uma oportunidade real de transformação. Pela primeira vez, o país passou a fazer parte de um projeto político assente na cooperação, na liberdade e na defesa de valores democráticos comuns. Os efeitos dessa adesão são visíveis em praticamente todas as áreas da sociedade portuguesa.
As infraestruturas modernizaram-se, as ligações ferroviárias e rodoviárias cresceram, os serviços públicos evoluíram e o acesso à educação superior tornou-se mais abrangente. Milhares de jovens puderam estudar no estrangeiro através do programa Erasmus, criar contactos, aprender novas línguas e regressar com uma visão mais aberta do mundo. Para muitas gerações, a Europa deixou de ser apenas um conceito distante e passou a fazer parte da vida quotidiana.
Também a economia portuguesa beneficiou profundamente desta integração. O acesso ao mercado único europeu permitiu aumentar exportações, atrair investimento estrangeiro e criar novas oportunidades para empresas e trabalhadores. A livre circulação de pessoas trouxe possibilidades que antes pareciam impensáveis: trabalhar noutro país europeu, estudar fora ou simplesmente viajar sem fronteiras.
Hoje, olhamos para essas conquistas como algo natural, mas durante décadas foram privilégios inacessíveis para a maioria dos portugueses.
Claro que a UE não é perfeita. Existem desigualdades entre países, decisões burocráticas difíceis de compreender e momentos em que Bruxelas parece distante das preocupações reais das pessoas.
A crise financeira, a inflação ou os desafios ligados à imigração mostraram fragilidades e aumentaram o crescimento de discursos populistas e eurocéticos. Ainda assim, é importante perceber uma coisa: muitos dos problemas que enfrentamos atualmente seriam bastante mais difíceis de resolver fora da UE.
Num mundo marcado pela instabilidade, pelas guerras, pela competição económica entre grandes potências e pela pressão sobre os recursos naturais, países pequenos e periféricos como Portugal ganham força quando fazem parte de um bloco político e económico sólido. Sozinho, Portugal teria menos capacidade de negociação, menos influência internacional e maior vulnerabilidade económica. A UE dá-nos dimensão, proteção e capacidade de resposta.
Celebrar os 40 anos da adesão não deve ser apenas um exercício de nostalgia. Deve ser um momento de consciência coletiva. Muitas das oportunidades que hoje temos resultam diretamente dessa escolha feita em 1986. E aquilo que foi conquistado não está garantido para sempre.
Quarenta anos depois, continua a ser difícil imaginar um futuro mais seguro, mais estável e mais próspero fora deste projeto comum. Porque, para Portugal, a Europa nunca foi apenas uma opção política. Foi uma escolha de futuro.
