[Editorial] Equacionar alternativas: o mínimo que se pode pedir

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

É notícia nesta edição a aprovação do Plano Diretor do município de Santo Tirso. Independentemente das posições políticas da oposição em sede de reunião de Câmara e de Assembleia Municipal e das respostas (políticas e administrativas) da maioria que governa o concelho, podemos considerar que o documento merecia ter sido tratado com mais debate público, melhor esclarecimento e mais transparência, sobretudo em relação a objetivos e estratégias na relação de interesses privado versus público, até para demonstrar a prevalência deste último.

Quando, há um ano atrás, foi aberto o período de discussão pública da revisão do PDM alertamos precisamente para a ausência de uma apresentação e debate públicos que permitissem a cada munícipe interessado enquadrar as suas preocupações com a visão dos autarcas e dos seus técnicos responsáveis. A ausência de debate encaminhou a discussão para um predomínio da microanálise de centenas de casos isolados sem que se obtivesse a perceção adequada do conjunto.

Não ficamos a saber e talvez nunca saberemos, que papel tiveram as Juntas de Freguesia na elaboração das propostas. Terão tido, pelo menos, a preocupação de intervir no processo? Não havendo disso notícia, passará por não ter acontecido. Ou, se aconteceu, fica na sombra o que, bem ou mal, possa resultar de seguida.

Naquilo que tem importância estratégica, especialmente para a parte nascente do concelho, é muito relevante a questão da rede viária e muito particularmente a Estrada Nacional 105. E sobre isso, o que se pode encontrar no Relatório de Ponderação da Discussão Pública é, no mínimo, dececionante. Uma proposta de um munícipe que pretendia que fossem previstas alternativas à EN 105 (nascente) e às Pontes de Caniços e da Pinguela (ligações ao concelho de Famalicão), não foi acolhida, com a justificação de que “não existindo canal disponível para prever uma variante a esta estrada nacional, todas as alternativas que permitam retirar tráfego da via (…) contribuem para atenuar os impactos negativos existentes. Não se encontram equacionadas alternativas às referidas pontes”.

Ora bolas! A proposta era, precisamente, que se equacionassem tais alternativas! Era o mínimo a acolher em sede de discussão pública do PDM.

Incluída na mesma explicação, está esta referência: “está prevista uma ligação entre Rebordões e a Vila das Aves, prevendo uma nova travessia do Rio Vizela”. É esta a solução para retirar tráfego da EN 105? Pois, sendo essa a ideia, é necessário equacionar, desde já, a resposta ao tráfego futuro no interior da Vila e projetar as modificações indispensáveis na rede viária para que se resolva um problema sem criar outros.
De facto, quem estiver a par das obras de requalificação da Avenida 4 de Abril, nomeadamente da pavimentação nobre e cuidada da futura “parada” em frente da sede da Junta de Freguesia, sabe que vai ser uma zona de coexistência de trânsito de peões e veículos, uma zona nobre de largos passeios a que se acede por faixas de circulação estreitas.

Olhando o mapa e a o local da projetada ponte de Rebordões, é evidente que a maior parte do tráfego desviado através dela vai ser canalisado para o centro da Vila, precisamente para a esta zona em obras em frente do edifício da Junta. E lá se vai a vantagem de ser centro da urbe.

Era bom que, à rede viária do concelho (pelo menos na parte que nos toca), se dedicasse maior atenção e se elaborassem projetos com visão no futuro. Equacionando alternativas, evidentemente.

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