[Opinião] Os erros das listas!

Castro Fernandes CRÓNICAS/OPINIÃO

Até ao próximo dia 29 de janeiro todos os partidos têm de apresentar as listas de candidatos a deputados à Assembleia da República, por distrito, nos respetivos tribunais. É um ritual que se repete a cada ato eleitoral que normalmente é antecedido por disputas internas que habitualmente deixam marcas para os períodos eleitorais e pós-eleitorais.

Ao longo das últimas semanas têm-se acompanhado, por um lado, notícias sobre os candidatos que, insatisfeitos, transitam entre partidos para poderem vir a ser reeleitos, e por outro, tomado conhecimento de algumas novidades que são verdadeiras surpresas.

No distrito do Porto, a grande novidade acontece no PS, onde Francisco Assis, que andava desavindo com o partido, aparece a liderar a lista socialista do Porto depois de desde 2015 se ter oposto à formação do Governo de António Costa com o apoio do BE e da CDU!

Francisco Assis, tal como José Luís Carneiro, defenderam em 2015 que quem devia formar governo era a coligação PSD/CDS, liderada por Passos Coelho! Com a eleição de Pedro Nuno Santos para Secretário Geral do PS, que é considerado da ala esquerda do partido, aparece assim surpreendentemente Francisco Assis, que aspira ser Presidente da Assembleia da República, como número um da lista dos candidatos do PS pelo Porto.

Estranho quando o distrito do Porto teve à sua frente, durante praticamente dez anos, Manuel Pizarro que foi Presidente da concelhia do PS do Porto, Presidente da Federação Distrital do PS do Porto, candidato à Câmara Municipal do Porto, Eurodeputado e atualmente Ministro da Saúde.

Na minha opinião, a lógica seria que o número um da lista de deputados pelo Porto fosse Manuel Pizarro que melhor que ninguém encabeçou as lutas do PS no distrito, tendo conseguido vitórias históricas na conquista do número Câmaras Municipais no distrito e nos resultados das legislativas em 2022. Mais estranho ainda que Manuel Pizarro integre a lista de deputados pelo distrito do Porto em último lugar, segundo se afirma por opção própria! Francamente não entendo estas opções, num momento em que o trabalho político deve ser reconhecido publicamente e a melhor forma de o reconhecer é exatamente nas decisões tomadas. O Porto não fica beneficiado com Francisco Assis a número um da lista de deputados, já que teria outras opções nacionais que salvaguardariam a sua candidatura e a Manuel Pizarro não é assim reconhecido o trabalho partidário e político feito ao longo dos últimos anos.

Compreendo e respeito o silêncio de Manuel Pizarro, mas não ficaria de bem comigo próprio se deixasse de manifestar a minha opinião. O PS tem de honrar os seus pergaminhos e respeitar os seus e a melhor forma de o fazer é respeitar e apoiar todos os que dão o melhor de si ao longo da vida em prol de uma causa.

Para o Manuel Pizarro, os desejos de que continue a trabalhar em prol do PS e de Portugal, como sempre o soube fazer. O Porto precisa de Manuel Pizarro e este certamente que verá reconhecido o seu trabalho.

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