[Editorial] Informação e democracia em 2024

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

Por cá, neste cantinho da Europa, vamos ser chamados às urnas duas vezes no ano que decorre: eleições legislativas antecipadas em 10 de março e eleições europeias em 9 de junho. A nível do globo, haverá eleições em mais de 60 países que representam cerca de metade da população mundial. Índia, Estados Unidos da América, Rússia, Reino Unido e União Europeia fazem parte da lista de países com ato eleitoral este ano.

Apesar do pressuposto de que todas estas eleições são democráticas, nalguns casos é difícil garantir que todo o processo possa considerar-se livre e justo. O conceito de qualidade da democracia permite comparar sistemas de democráticos em questões como a garantia dos direitos e liberdades individuais, a participação dos cidadãos e a prestação de contas. O pluralismo, que permite aos cidadãos a liberdade de escolha e a transparência relativamente aos atos e decisões dos poderes instituídos são outros valores tidos em conta na avaliação da qualidade da democracia.

O papel da imprensa, da rádio e da televisão na elaboração da chamada opinião pública é alvo, entre nós, de especial controlo em tempo de campanha eleitoral, para garantir o direito dos cidadãos à informação e o direito dos candidatos a informar. Mas, a forma como se faz comunicação no tempo presente tem vindo a mudar e, como argumentava Pacheco Pereira em artigo recente no “Público”, não temos agora a política dum lado e os jornais, radio e televisão do outro, “mas apenas um lado, o sistema político-mediático”, em que cada vez mais os factos, as opiniões, as interpretações são moldados por mecanismos mediáticos em que participam políticos e jornalistas. E temos as redes sociais e as novas formas de acesso àquilo que passa por ser informação, mas que pouco mais é do que entretenimento afetivo, em que a razão e a ética foram substituídos pelas emoções.

Daí que o risco de manipulação da opinião através de algoritmos das redes sociais possa influenciar o sentido de voto em larga escala, com a intromissão externa, como já aconteceu. A eleição nos Estados Unidos da América será, por isso, um teste à solidez da democracia na civilização atual. A história recorda-nos que a democracia é frágil e está permanentemente em risco de apropriação por totalitarismos de um ou outro lado. Pela nossa parte, como jornal de interesse local e regional, pretendemos continuar uma linha editorial de informação rigorosa e pluralista, capaz de escrutinar o funcionamento das instituições e aberto a todas as correntes de opinião. E contribuir assim para uma participação cívica informada nos atos eleitorais contribuindo para a consolidação de uma democracia de qualidade.

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