[Editorial] Desequivocando

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

1No arranque da pré-época futebolística profissional tem sido dada ampla cobertura noticiosa à Vila das Aves pela circunstância de voltar a ter um clube na Segunda Liga. A AFS (Avs Futebol SAD), sucessor desportivo da União Desportiva Vila Franquense, Futebol SAD tomou por arrendamento o Estádio do Clube Desportivo das Aves e instalou-se, com armas e bagagens, tendo dado início aos trabalhos de preparação (ver notícia nesta edição). É um erro afirmar, como se tem visto, que houve uma fusão com o Clube Desportivo das Aves. Outros têm mesmo propalado tal fusão como tendo ocorrido com o CD Aves 1930 que apresentam como “refundação do extinto CD Aves”. O Desportivo das Aves está vivo e é detentor de património invejável que parcialmente arrendou à nova SAD, garantindo dessa forma a sua manutenção e valorização. E Já é notório algum avanço nesse capítulo.

2Para alguns todo este processo comporta riscos idênticos aos que resultaram na situação catastrófica provocada pela anterior SAD. O que ficou escrito no ponto anterior relativamente ao arrendamento é garantia de que os riscos, económicos e desportivos, são exclusivamente da AFS. E a mudança qualitativa ocorrida na gestão do Vilafranquense SAD no último ano, resolvendo uma herança pesada criada por anteriores protagonistas, algum dos quais com rasto por cá, parece dar um sinal altamente positivo sobre os interlocutores.

3O Desportivo das Aves deveria continuar o percurso que iniciou desde o fundo, como está a fazer, com sucesso, o Belenenses e como vai também fazer a União Desportiva Vilafranquense? Só pode pensar assim quem não tiver presente que, tendo sido esse o percurso tentado pelo CDAves1930, ele ficou absolutamente bloqueado pelas sanções desportivas da UEFA que continuam a impedir a inscrição de quaisquer novos atletas, em consequência das dívidas da falida SAD a jogadores profissionais.

4Vale a pena continuar sócio do Clube Desportivo das Aves? E que se ganha com isso? Esta questão é fulcral para quem vive a história do clube da sua terra e que quer continuar a vê-lo como um meio de promoção desportiva dos seus associados nos espaços históricos que criou.  A solução encontrada permite manter atividades e ganhar tempo para a superação das dificuldades que se espera transitórias da crise que a SAD de má memória acarretou. E para quem o espetáculo futebolístico com bandeira da terra é o mais importante, o acordo existente para o acesso aos jogos em condições especiais para os sócios do Aves é a prova de que vale a pena continuar a acreditar “ que de futuro nossa bandeira seja a primeira”.

A AFS, através da sua administração, tem feito forte aposta na paixão futebolística das gentes de Vila das Aves, aproveitando, para o apoio às suas equipas, as tradições que fizeram desta terra “a maior vila do futebol português”. O que é também um notório contraste e uma poderosa denúncia do retrocesso e equívoco que é uma dita “nova identidade” assumida como “Aves, freguesia”.

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