[Opinião] Pobres, mas agradecidos

CRÓNICAS/OPINIÃO Rui Baptista

Fizemos um ano após as eleições autárquicas, é normal ser uma altura de balanços e de anúncios para o futuro. Sinceramente, na última Assembleia de Freguesia, pensei que íamos assistir, além do habitual balanço, a um momento para anúncios das ambições desta Junta para os próximos anos, mas pelo que li e ouvi, pelos vistos o futuro a Deus pertence.

Há nove meses que os terrenos da Quinta dos Pinheiros já reverteram oficialmente para a Junta de Freguesia, mas ainda não sabem o que lá se vai fazer. Parece que estão à espera das ideias de uma associação. A Junta não teve apenas nove meses para pensar numa solução, mas sim desde que a SAD do Aves entrou em insolvência que este trabalho deveria começar a ser realizado. Pensar-se no que se poderia fazer daquele terreno e, juntamente com a Ass. Bombeiros desenhar-se um projecto que sirva a Vila das Aves, e que seja uma solução de futuro.

Quando a Junta da altura decidiu negociar o direito de superfície com a SAD do Aves, todas as forças da Assembleia de Freguesia foram envolvidas nas negociações, tanto que foi aprovada por unanimidade. Por isso não entendo porque a Junta não abre um processo de auscultação dos avenses sobre o que pretendem para aquele espaço, porque não se coloca as pessoas a participar e dar o seu contributo? Certamente teríamos mais envolvimento de todos e até ajuda para a sua elaboração.

“A requalificação da rua D. Afonso Henriques é o exemplo acabado que a nossa junta de freguesia é o parente pobre da Câmara, recebe umas migalhas e fica muito agradecida.”

Na última Assembleia tivemos um avense, com provas dadas na história do urbanismo da nossa terra, a colocar a questão sobre o que a Câmara pretende fazer para a requalificação do miolo urbano, Tojela-Bom Nome, no entanto a Junta nem uma palavras diz. Será que sabe o que a Câmara pretende fazer aqui na Vila das Aves, ou se a Câmara vai fazer alguma coisa ou esperar que os investidores privados façam o que a Câmara deveria fazer? Já aqui escrevi que foi uma promessa do presidente da Câmara na altura da campanha, que a requalificação urbana era uma prioridade para a Vila das Aves. Até à data não ouvimos nem vimos nada.

A requalificação da Rua D. Afonso Henriques é o exemplo acabado que a nossa Junta de Freguesia é o parente pobre da Câmara, recebe umas migalhas e fica muito agradecida. Esta obra deveria ser realizada pela Câmara Municipal pois é uma rua da sua jurisdição, no entanto delega a obra na Junta, até aí tudo bem, mas não atribuir a verba para que a ligação à rua 25 de Abril fosse realizada é no mínimo desrespeitoso por todos os que pagam impostos. Já para não falar na fraca qualidade dos acabamentos quando comparado com o que foi feito na a Av. Silva Araújo há vários anos atrás.

A Câmara Municipal inaugurou recentemente três ruas em Santo Tirso (Rua da Misericórdia, Infante D. Henrique e Comendador António Maria Lopes), entre a antiga Fabrica do Arco e o Ginásio Clube de Santo Tirso, cerca de 1km de extensão custaram 1,2 milhões de euros, cerca de 1.200 euros por metro. A Rua D. Afonso Henriques em Vila das Aves custou 150 mil euros para cerca de 400 metros de extensão que dá 375 euros por metro.

Fica aqui o exemplo daquilo que é a diferenciação entre a cidade e as restantes freguesias. Cabe às Juntas de Freguesia defender os interesses das suas terras e não aceitar estas migalhas para fazer remendos.

Querem que sejamos pobres (talvez de espirito) mas agradecidos?

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