[Crónica] Pode alguém ser quem não é?

CRÓNICAS/OPINIÃO Fátima Pacheco

Brasil, está à beira de um colapso de nervos… volvido o primeiro turno das eleições continua-se a ver grupos de pessoas se digladiando e cada um defendendo seu ideal de candidato. Em democracia é assim: o povo vota, o povo elege, quem ganha governará por mais uma legislatura. Há que aceitar o voto maioritário, o que acontecerá no dia 30 deste mês de outubro.

Tenho muitos amigos que defendem ambos os candidatos. Procuro não me imiscuir na decisão de cada um pois democracia é aceitar as opiniões sem acabar amizades ou desrespeitar os ideais do outro. Escuto os argumentos e fico muito triste porque o que ouço são frases feitas, insultos, defesa de valores que refletem ódio, apelo a um Cristo que nada tem de bondade, defesa ao porte de armas… sinto que tudo isso reflete o medo e a insegurança que a sociedade atravessa.

Após dois anos de uma pandemia que fez cada um recolher-se ao seu espaço, a sociedade ficou ainda mais individualista, um individualismo que se reflete na agressividade que grassa. Infelizmente palavras como cooperação e solidariedade andam muito fugidas do léxico comum.

“Após dois anos de uma pandemia que fez cada um recolher-se ao seu espaço, a sociedade ficou ainda mais individualista, um individualismo que se reflete na agressividade grassa”

E, se a pandemia trouxe um derrape na economia, a guerra na Ucrânia veio afundar o mundo num buraco económico sem precedentes. No Brasil afere-se que haja 33 milhões de pobres, não pobres que têm algum pouquinho para subsistir, mas 33 milhões de pessoas, famílias, que não têm de comer, que vivem nas ruas, que pedem esmola em todos os cantos das cidades, que poluem o visual dos locais de viver e assustam quem lá permanece. Isso sem falar em lugares, chamados de cracolândia, onde os toxicodependentes perambulam, assaltam, roubam, depredam comércios.

O coração de D. Pedro deve ter ficado muito triste com tudo o que viu aqui. Também me pergunto por que ele veio pois se a figura representava o império português… só se foi para lhe dizer que o Brasil está feliz com os seus 200 anos de independência.

E como pode alguém ser quem não é… aguardo o resultado eleitoral na esperança de que após essa data esta terra possa ter um pouco de mais tranquilidade.

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