[Opinião] A Guerra e o Novo Governo

Castro Fernandes CRÓNICAS/OPINIÃO

Com os números do Covid-19 a baixar significativamente e com a possibilidade de virem a ser suspensas pelo Governo as medidas de confinamento que duram há dois anos, apesar de algumas referências ao eventual aumento dos índices de transmissibilidade, surgiu agora a questão da guerra na Ucrânia que agravou as condições de segurança para níveis que já não se viam desde o final da Segunda Guerra Mundial, independentemente do período que decorreu com a guerra dos Balcãs entre 1990 e 2000.

A guerra da Ucrânia está a constituir um gravíssimo problema para o próprio país, pela invasão de que foi alvo por parte da Rússia, para toda a Europa e mesmo para o mundo. A crise de segurança causando muitos milhares de mortos e feridos, a crise dos milhões de refugiados, a crise económica, a crise alimentar e a crise energética constituem fatores mais do que suficientes para se repensar bem o futuro em termos estratégicos.

Ora, é neste quadro internacional conturbado que em Portugal vai tomar posse o novo Governo que, dadas condições de apoio maioritário na Assembleia da República, poderá ter um mandato estável de mais de quatro anos, o maior mandato de sempre.

No momento em que escrevo este artigo não se conhecem oficialmente os membros do novo Governo, mas é natural que, entretanto, o Presidente da República já tenha publicado o elenco de ministros e secretários de estado que tomarão posse conjuntamente no próximo dia 30 de março.

“O número de ministros e secretários de Estado vai diminuir com o novo Governo e o seu êxito dependerá das personalidades e fundamentalmente das políticas seguidas. No final, haverá um grande responsável: António Costa”

Para o Primeiro Ministro, António Costa, as nomeações dos futuros ministros das Finanças, da Economia, da Saúde, da Defesa e dos Negócios Estrangeiros serão fundamentais, embora se admita a continuidade de alguns deles como são os casos da Saúde e da Defesa, já que Augusto Santos Silva, atual Ministro dos Negócios Estrangeiros, deverá ser eleito Presidente da Assembleia da República. Subsiste assim a dúvida de quem será o novo Ministro numa altura tão complexa a nível internacional no âmbito da União Europeia e da própria NATO.

Entretanto a opção pelo futuro Ministro das Finanças é crucial aguardando-se a nomeação pela sua importância no conjunto do governo. Será que vamos ter nas Finanças um ex-presidente de Câmara? Ou teremos continuidade?

Podemos também vir a ter como Ministro, António Costa e Silva, um especialista em Economia, Energia e Fundos Europeus que também serão áreas essenciais da governação por causa das medidas de crescimento e desenvolvimento económico e da correção dos atrasos nas aprovações pela UE do Portugal 2030 e do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Perante este cenário, coloca-se a questão sobre quem serão os novos governantes oriundos do norte do país e o seu respetivo peso dentro do Governo. . Desde 2015 o Governo têm tido uma boa representatividade com Ministros como Augusto Santos Silva a ter um papel relevante. Com a eventual saída de um ou outro ministro quem os vai substituir? Não faltam personalidades a Norte com relevo político, intelectual, social e empresarial capazes de ter um bom desempenho.

Quanto aos denominados ministros políticos, mais próximos do PS, é natural que António Costa queira manter Pedro Nuno Santos, como Ministro das Infraestruturas, e Mariana Vieira da Silva, como Ministra de Estado, esta última com um trabalho de continuidade muito próximo ao Primeiro Ministro.

Uma coisa é certa, o número de ministros e secretários de estado vai diminuir com o novo governo e o seu êxito dependerá das personalidades e fundamentalmente das políticas seguidas. No final haverá um grande responsável: António Costa que está a decidir o futuro de Portugal e o seu também.

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