Os 100 euros do Partido Socialista

Ana Isabel Silva CRÓNICAS/OPINIÃO

No final deste ano serão discutidas e votadas as Grandes Opções do Plano e Orçamento da Câmara Municipal de Santo Tirso para 2022. Nele estão descritos todos os investimentos que o executivo se compromete a fazer no próximo ano civil. Com uma pandemia que persiste, novos desafios para a sustentabilidade ambiental, a necessidade de recuperação de emprego, qualquer diploma apresentado tem de ter em conta a ideia de encontrar respostas para o futuro.

O problema é que o PS levou esta ideia demasiado à letra e o orçamento aponta tudo para os próximos anos e nada para o presente. E os exemplos falam por si. Diz o executivo que uma das suas grandes prioridades para o orçamento é o saneamento, nomeadamente em Sequeirô. Quando vamos a ver esta rubrica no documento, o único investimento que encontramos é de 100€ para 2022. O mesmo acontece com a reabilitação do recreio escolar da E.B. 1 de Areias, ou espaço exterior do complexo habitacional de Ringe, bem como a requalificação de arruamentos envolventes do largo das caldinhas em areias. A lista das grandes intervenções para as quais o PS destinou 100€ é extensa. Tanto as obras no espaço público envolvente ao Mosteiro de São Bento, bem como a requalificação da praça com o mesmo nome e o Largo Coronel Baptista Leite, e ainda o Jardim dos Carvalhais ou o alargamento do tabuleiro da Ponte de Caniços (Rebordões), a própria ampliação do cemitério de São Tomé de Negrelos, o prometido pavilhão desportivo no Vale do Leça… esperam todas elas um bestial montante de 100€ cada uma.

“Se a desfaçatez pagasse imposto, talvez tivéssemos mais uns trocos para ajudar o Executivo”

Ana Isabel Silva

Até o plano de mobilidade sustentável, uma das bandeiras do Executivo, tem também uma dotação orçamental de 100€, indicando que o maior investimento será em 2024. A bem da verdade, importa mencionar que a intervenção no Parque do Amieiro Galego, em Vila das Aves, foi presenteado com a estonteante verba de 300€, o que perfaz um valor triplicado em relação aos exemplos anteriores. Se a desfaçatez pagasse imposto, talvez tivéssemos mais uns trocos para ajudar o Executivo.

O terreno da Feira de Santo Tirso precisa de uma reabilitação. No entanto, não será ainda no próximo ano que algo sério será feito em relação a isso. Pouco mais de mil euros estão alocados a esse fim. E o que dizer da famigerada expansão do canil municipal? O PS, após o trágico incêndio, aloca 1000€ para esse fim. A implementação de medidas chamadas “zona 30” com o objetivo de diminuir a velocidade dos carros na cidade também não será prioridade em 202, dado que estão apontados para essa matéria (outra vez) 100€, empurrando de novo o investimento para 2023 e 2024. O mesmo acontece com a inclusão da estratégia local de habitação, especificamente o Programa “1º Direito”, com direito a financiamento vindo do Estado Central e que conta com um valor orçamentado de 100€ para 2022. O grosso do investimento é atirado para o ano de 2025.

O Partido Socialista apresentou uma proposta de orçamento, mas não foi para 2022, prometendo os grandes investimentos em 2023, 2024 e 2025. O filme já é conhecido e o povo não é burro. Daqui a um ano, quando se discutir o Plano e Orçamento para 2023, vai prometer investimentos sérios nos anos seguintes até 2026. Sabemos que nem todos os projetos podem ser realizados num só ano. Mas exatamente por isso é necessária a coragem para escolher prioridades e deixar de lado a propaganda eleitoral.

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