[Editorial] Em tempos de protestos pela habitação, uma boa notícia

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

1É boa notícia a que publicamos nesta edição: a câmara de Santo Tirso lançou concurso para a conceção e construção de “parque público de habitação a custos acessíveis”, a construir no loteamento de Gião. Trata-se passar à concretização do estudo prévio a câmara aprovou em reunião há pouco mais de um ano, em deliberação que referia ter sido apresentada candidatura ao programa de financiamento PRR. Não há referências a financiamento na deliberação que decide contratar, o que, ainda que sem PRR, não parece grave, na medida em se trata de valores que não estão fora da capacidade de autofinanciamento da autarquia, se outra opção não houver. E tratando-se de apartamentos para arrendamento acessível, como parece ser o caso, é uma iniciativa meritória que só peca por tardia e por ter perdido a oportunidade dos fundos europeus para os quais o presidente Marcelo tinha avisado em 2021: “são irrepetíveis e de utilização em curto espaço de tempo”.
A notícia só não ficará pela notícia se o concurso público agora anunciado tiver sucesso e a obra for efetivamente adjudicada. Este concurso e a construção de 70 habitações para venda a custos controlados em execução na Vila das Aves, a par de outras iniciativas privadas, mostram que algo está a mudar no concelho relativamente ao problema da habitação. O diagnóstico sobre as condições de habitação do concelho em que se baseou a Estratégia Local de Habitação (2021) não tinha em conta as necessidades de jovens casais à procura de uma primeira solução de habitação, fosse por arrendamento fosse por aquisição a valores acessíveis. Ainda bem que a estratégia está a mudar.

2As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos da América que se realizaram por estes dias e cujos resultados podem (ou não!) mudar alguma coisa na política americana e na cena internacional, merecem algumas palavras de esclarecimento e de esperança. De esclarecimento, porque os procedimentos eleitorais são muito distintos dos que conhecemos na Europa. O congresso tem duas câmaras, a dos representantes e o senado. Os representantes (do povo) são eleitos por dois anos. Os senadores são eleitos por seis anos, mas em cada eleição de dois em dois anos é eleito apenas um terço deles. A importância destas eleições a meio do mandato do presidente resulta de funcionarem como uma espécie de referendo ao presidente e ao seu partido, que pode ficar em minoria numa ou em ambas as câmaras do congresso, e assim condicionar a atividade do presidente em vários domínios.
Parece evidente que a principal razão de descontentamento dos eleitores americanos é o custo de vida. Lá como cá, o preço dos combustíveis tem vindo a acelerar e ninguém de bom senso poderá negar que tudo se agravou depois da guerra que Estados Unidos e Israel iniciaram contra o Irão. Este é um assunto por encerrar e ninguém poderá antecipar que efeito terão as eleições nos Estados Unidos. A esperança de que o efeito seja positivo para a paz e para o controle dos preços dos combustíveis é o que nos resta. Mas nada está garantido.
Ainda agora, nas eleições no Brasil, a vitória de Lula da Silva, por uma margem confortável mas inesperada, desencadeou a fuga para o estrangeiro do candidato Bolsonaro. A bipolarização extremada está a tornar-se norma e origina atitudes tão antidemocráticas como esta de não aceitar pacificamente os resultados, pretendendo convencer os seus apaniguados de que o resultado é fraudulento. Há quem receie que o presidente americano vá reagir assim se o resultado o não favorecer e ensaie uma fuga para a frente a caminho da ditadura.
Haja esperança de que vença a democracia, a bem da paz e do progresso das nações.

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