Setenta anos passaram desde que S. Miguel das Aves foi elevada à categoria de Vila.
Muitas mudanças ocorreram, entretanto, nas designações toponímicas e das localidades. Uma delas foi a ideia de tirar importância ao santo orago da paróquia, passando-o a segundo plano. Por exemplo, Negrelos (S. Tomé), tem sido por vezes usado em vez de S. Tomé de Negrelos. Bem-haja quem não cedeu à modernice.
Na realidade, Aves (S. Miguel) passou à mesma por essa lógica, com a agravante de ter perdido o santo padroeiro, ficando apenas Aves. Seguramente por não haver outra Aves com que se confundisse.
Ora tendo surgido a elevação a Vila, foi natural a adoção de Vila das Aves como a designação apropriada. Até a paróquia tem vindo a ser designada como de S. Miguel de Vila das Aves.
O nome da estação do caminho de ferro foi uma luta inolvidável de muitas décadas. Alguém escreveu, há tempos, que foi a Fábrica (de Negrelos) que trouxe o comboio a S. Tomé de Negrelos. Grande asneira, pois, como todos sabemos, a linha do dito nunca foi à outra margem do Vizela. Não esquecemos, porém, que foi a fábrica que deu o nome à estação. A fábrica era, à data da chegada do comboio, toda em Negrelos e sendo a referência maior, batizou a coisa, dando origem à disputa pelo direito ao nome, que teve fases intermédias de Aves-Negrelos e Vila das Aves-Negrelos até estabilizar no nome que tem hoje, Vila das Aves. O nome importa, diz-nos a história.
O nome oficial da nossa vila é Aves. Melhor, o nome oficial da nossa freguesia é Aves. Vila das Aves, segundo o decreto de 1955, é “a povoação de Aves, sede da freguesia do mesmo nome do concelho de Santo Tirso”. Sendo certo que a “povoação” cresceu quanto baste para tomar o tamanho da freguesia, é legítimo pensar, como sempre fizemos, que toda a freguesia é vila e que assim continuará a ser até que um dia se torne cidade. E Vila das Aves cidade não é utopia.
Aves, apenas, e apesar de oficial, é uma designação demasiado redutora que esconde e menoriza setenta anos de tradição. Aves é freguesia, sim. Mas não carece de trazer amarrada ao nome essa condição quando tem, desde há setenta anos e por decreto governamental, mais elevada categoria.
Propor a alteração do nome oficial da freguesia para Vila das Aves pode ser o caminho para que cessem os equívocos induzidos por uma “imagem de marca” desajustada que não passou por discussão pública alargada nem tem o aval da população. Mas, se isso não for considerado pertinente, que haja ao menos o bom senso de não esquecer que é como Vila das Aves que nos reconhecemos e que é indispensável que os seus sinais e os seus símbolos não sejam, a tal respeito, dissonantes.
Setenta anos, Aves, Vila. Viva Vila das Aves