[Reportagem] Aviscena dá as boas-vindas a setembro com um mês repleto de teatro

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Primeira edição do festival “Em_Cena”, organizado pela companhia avense, apresenta quatro fins de semana de teatro naquele que se quer afirmar como evento âncora da agenda cultural. “A Tempestade” da companhia Jangada abriu as hostilidades com lotação esgotada.

Se o mês de setembro é feito de regressos, o Teatro Aviscena não fez por menos e assinala a rentrée à vida normal pós-férias de verão com uma onda de teatro que durante quatro semanas vai tomar conta do Centro Cultural Municipal de Vila das Aves (CCMVA) e proporcionar ao público avense aquele que se apresenta como “o primeiro festival do teatro da freguesia”.

Cristina Ferreira, presidente da associação que dirige a companhia, explica em conversa com o Entre Margens que o “Festival Em_Cena” surge de um repto lançado pela junta de freguesia de Vila das Aves que propôs ao Aviscena a organização de um certame de teatro que pudesse alavancar a oferta cultural da freguesia. Repto esse que foi imediatamente aceite pela companhia.

“Ficamos logo muito motivados. Queríamos criar um evento anual que marcasse o teatro em Vila das Aves e pensamos logo que esta era uma iniciativa excelente. Não só para o Aviscena como companhia de teatro, mas também para o próprio centro cultural”, explicou a dirigente.

O festival está a ser preparado desde março deste ano tendo como principal objetivo incentivar o contacto do público de Vila das Aves com o teatro, a partir de uma programação que não excluísse ninguém, acessível a todos, mas de qualidade assegurada.

“A nossa ideia foi tentarmos trazer espetáculos que fossem acessíveis a toda a gente, miúdos e graúdos, para as famílias”, esclareceu Cláudio Ribeiro, ator e encenador do Aviscena. “Nesse sentido, as companhias que escolhemos foram companhias que já conhecíamos e que à partida eram escolhas seguras para que esta primeira edição corresse da melhor forma possível. Julgo que acertamos em cheio”.

A abertura, que decorreu no passado fim de semana, dia 2, ficou a cargo da companhia Jangada com o espetáculo “A Tempestade”. Seguem-se, sempre aos sábados, pelas 21h30 no auditório do Centro Cultural: “Os Grandes Não Têm Grandes Ideias” da companhia Fértil Cultural, no dia 9; “Nada É Bem O Que Parece” da companhia Cem Cenas, no dia 16 e a fechar, dia 30, “Selote Machine” da companhia anfitriã, Aviscena.

Estreia com casa a ‘rebentar’ pelas costuras

Meros minutos antes do início do primeiro espetáculo do festival fazia-se sentir um burburinho intenso no hall do CCMVA à espera que as portas se abrissem. Estava casa cheia. Aliás, mais do que isso. Os receios da organização durante as últimas semanas sobre a adesão doo público a um espetáculo de teatro logo no primeiro fim de semana de setembro, quando muitos ainda se encontram de férias, tinha-se mostrado infundada. Superava todas as expectativas.

A organização de um evento com esta envergadura apresenta-se como uma nova engrenagem para a companhia de teatro de Vila das Aves. Habituados a estar em cima do palco, este desafio de planificar e dar vida a um festival que se estende durante um mês permitiu aos elementos do Aviscena trabalhar outros músculos e abrir novas perspetivas.

“Este tem de ser o primeiro de muitos”, comentava Cláudio Ribeiro. “É uma motivação diferente estar do lado de cá e posso dizer que me deu muito gosto preparar tudo para que possamos ter este resultado final”.

Um “impulso” que, segundo Cristina Ferreira se deve à união de toda a companhia Aviscena, numa parceria que juntou para além da junta de freguesia e da Câmara Municipal, só foi possível concretizar com o apoio do Eleclerc de Lordelo. Tudo em torno deste objetivo comum: “trazer à comunidade cultura e teatro”.

No palco, a estreia do festival “Em_Cena” não podia ter sido mais auspiciosa. Shakespeare é sempre terreno fértil, mas a forma como a companhia Jangada, sediada em Lousada, se atirou à “Tempestade” do dramaturgo inglês é digna de nota.

Com apenas três atores e um cenário onde pontifica uma rocha ao fundo do palco, os contos e episódios voam à velocidade da luz numa adaptação em formato remix estilístico que remete para a vivacidade dos circos, feiras ambulantes e espetáculos de variedades, repleto de personagens peculiares e um sentido de humor sempre a piscar o olho ao espectador. Nesta “Tempestade” não houve diálogo shakesperiano, mas sim fantoches e números musicais que se tornavam mais e mais delirantes com o passar dos minutos. Fazer tudo isto, através de um registo popular e criativo, sem perder a noção temática da peça, não é para todos.

Durante o próximo mês, será o teatro o grande protagonista de Vila das Aves. E esse é certamente um facto que por si só já mereceria destaque. A adesão popular à primeira noite demonstra que público não falta. É preciso alimentá-lo.

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