[Editorial] Utopias, sonhos e realidades

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

A inauguração oficial do Parque do Verdeal com a presença do ministro do Ambiente, anunciada para amanhã, dia 8 de setembro, encerra um longo capítulo da história da vila, pois que, como já aqui referimos anteriormente, o processo começou com uma idealização utópica na década de 1950. Retomada a ideia, como promessa, nos anos oitenta, foram adquiridos os terrenos pelo município já na década de noventa e o parque planeado e reformulado em projeto mais do que uma vez. Já no século XXI, perdeu área para a nova estação do caminho-de-ferro e foi, finalmente, concretizado com ligação à outra margem do rio Vizela, para onde se estendeu.

Para que este ato, que encerra um processo que parecia utopia, não esconda a importância do que é necessário providenciar no quotidiano, importa não esquecer o que aqui já referimos noutras ocasiões e que de algum modo se liga com o parque: o arranjo da Estação, protocolado com as Infraestruturas de Portugal, o jardim (?) junto à linha férrea e a requalificação urbana da baixa. Sem esquecer, como é evidente, a manutenção e limpeza do próprio parque, que não pode continuar dependente do voluntarismo que teve nos meses pré-inaugurais.

A organização da administração autárquica portuguesa, com a particularidade de estarem os órgãos de freguesia de várias formas sujeitos aos órgãos municipais, explica que um sonho que surgiu em 1955 no seio da Junta de Freguesia seja, muitas décadas depois, inaugurado sob os auspícios da Câmara Municipal, que encomendou o projeto, adjudicou as obras e requereu os apoios financeiros que ajudaram à despesa.

Acontece que, por circunstâncias propícias e ousadia quanto baste, a Junta de Freguesia de Vila das Aves adquiriu, há anos, os terrenos do Amieiro Galego, junto do Rio Ave, criando um espaço de lazer num local mítico da freguesia onde uma nascente termal foi durante décadas informalmente explorada. A colaboração do município traduziu-se por apoio financeiro à aquisição dos dois terrenos e o apoio dos avenses providenciou o restante.
Agora, a manutenção do Novo Parque do Amieiro Galego parece ter sido tomada como “o calcanhar de Aquiles” da Junta, cujo presidente, há algum tempo, deu a conhecer através da Radio Vizela haver “dois mecenas que estão na disponibilidade de nos ajudar a reabilitar aquele espaço” e “levar a cabo a construção de umas termas à nossa medida”.

Já foram feitas diligências, em tempos, pela Junta, para a avaliação do potencial e dos condicionalismos legais relacionados com a nascente termal, os quais sugerem a inviabilidade económica da exploração. O que não impede a definição de um enquadramento que possibilite a utilização livre e informal da água termal, à semelhança do que se vê na vizinha Galiza. O apoio de mecenas é desejável e bem-vindo mas não pode ser deixada de lado a autarquia municipal, num tempo em que, para estas questões relacionadas com o ambiente, há milhões a fluir das instâncias comunitárias.

Se foi possível garantir investimento comunitário no Parque do Verdeal, porque não poderá também obtê-lo o Parque do Amieiro Galego, conciliando ideias, projetos e esforços (públicos e privados) para um mesmo desígnio?

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