[Opinião] A remendagem

CRÓNICAS/OPINIÃO José Manuel Machado

A Junta de Freguesia de Vila das Aves criou um plano político para disfarçar a sua falta de competência no exercício das funções para a qual foi eleita. Desse plano fêz parte ouvir a população sobre o futuro a dar ao edifício da antiga sede da junta e à sua parcela de terreno na Quinta dos Pinheiros.

Paralelamente avançou com uma ação de arranjo de alguns passeios em vários pontos desta terra. Todo este plano foi urdido com o propósito de controlar os danos políticos e mitigar o desassossego que se vai apoderando dos avenses, especialmente depois de revelado o fracasso total da sua governação no ano findo. 

Na penúltima edição deste periódico, o presidente da junta afirmou que “o levantamento das dificuldades nos passeios de toda a vila está feito desde 2018”. Como é por demais evidente, desse “levantamento” pouco ou nada resultou. Desde essa data aumentaram, e muito, os locais fustigados pelo mau estado do piso dos passeios. Não entendo a razão pela qual a junta pede “a compreensão de todos”, quando o que deveria era pedir desculpa pelo atraso negligente e pelo tipo de remendagem que está a levar a cabo. Um trabalho indescritível que está a ser executado sem sabedoria. Remendos em pavimento de pavê, entrecortado pelo piso de cimento, que ainda resta, em estado sofrível, e a aguardar dias melhores. É uma espécie de reabilitação inarrável, um remedeio muito triste nunca visto em parte alguma. Dispensamos luxos, mas merecemos uns passeios reabilitados decentemente, seja lá com que tipo de pavimento for, desde que seja uniforme e invariável. É o mínimo exigível para que se possa falar de reabilitação. Há quem ache que “é melhor que nada”, mas eu entendo que os avenses merecem mais!…

Merecem muito mais, merecem ter uma junta que seja capaz de ter propostas para apresentar à população sobre o destino a dar à Quinta dos Pinheiros ou ao edifício da antiga sede da junta de freguesia.

“Todo este plano foi urdido com o propósito de controlar os danos políticos e mitigar o desassossego que se vai apoderando dos avenses, especialmente depois de revelado o fracasso total da sua governação no ano findo”

Como tentativa de remediação do atraso que arrasta consigo, a junta fez uso do plano político que elaborou para o mês de janeiro. Criou uma representação cénica para provocar a ilusão de diálogo com os eleitores e disfarçar a falta de ideias próprias. Não fez o trabalho de casa, preferiu cabular e o agendamento da auscultação popular também não foi inocente.

Relativamente à Quinta dos Pinheiros, depois de confrontada com a apresentação pública do projeto dos bombeiros, a junta de freguesia despertou do sono profundo em que se encontrava e agora está a correr contra o tempo para alcançar uma solução para a sua parcela de terreno. É inconcebível que, mais de ano um volvido sobre a decisão judicial que conferiu a propriedade plena aos seus titulares, a Junta de Freguesia ainda não saiba o que fazer no seu terreno, enquanto os bombeiros já têm um projeto na Câmara relativo à parcela deles.

Quanto ao edifício da antiga sede da junta de freguesia, em estado de absoluto desmazelo, o público presente deu múltiplas sugestões em diversos sentidos e não faltou ambição…

Já no que toca à Junta de Freguesia a sua participação foi assustadora. Uma mão cheia de nada outra de coisa nenhuma, justamente numa ocasião em que, pela primeira vez, as Juntas de Freguesia vão passar a ser elegíveis a fundos da União Europeia, no âmbito do quadro comunitário Portugal 2030. As Juntas de Freguesia nunca puderam aceder diretamente a fundos europeus, mas agora poderão vir a fazê-lo, nomeadamente para obras de requalificação de equipamentos desportivos, recuperação de edifícios públicos degradados, entre outras. Pela primeira vez vão ser emitidos AVISOS específicos para que as Juntas de Freguesia possam executar aquilo para que têm competência própria.

Em julho do ano passado o governo apelava para que as freguesias fizessem, desde logo, os seus projetos, para que “quando as oportunidades se abrirem estarem na fila da frente para concorrerem”. Pelo que se viu a Junta de Freguesia de Vila das Aves nem tão pouco sabe o que fazer, quanto mais ter qualquer projeto pronto para concorrer na primeira oportunidade!

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