[Editorial] Dar lugar aos jovens

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

1Quando foram conhecidos os números provisórios dos censos de 2021, tivemos oportunidade de salientar, no Entre Margens de agosto desse ano, que o concelho de Santo Tirso teve uma redução do número de habitantes bastante superior, em percentagem, às perdas também verificadas nos concelhos limítrofes. Aliás, essa redução foi também superior à perda global de residentes verificada a nível nacional (5,2% em Santo Tirso, 2% em todo o país). E também salientamos que o índice de envelhecimento do concelho (223,3 maiores de 65 anos por cada 100 com menos de 15 anos) supera os valores encontrados para os concelhos vizinhos. “É forçoso assumir que vivemos num concelho muito envelhecido, que não aproveita da situação geográfica no litoral e na periferia do grande Porto para fixar população e que teve números de emigração significativos na última década”, escrevemos então.

Os dados definitivos dos Censos 2021 recentemente publicados acrescentam mais alguns dados, nomeadamente no que respeita à habitação. Por aí se pode constatar que, a nível do município, o número de habitações construídas nos vinte anos após o ano 2000 é cerca de metade do que se construiu nos vinte anos anteriores. E nos últimos dez anos ficou-se por menos de 25% do que foi construído na primeira década deste século. Na verdade, há muito se deixou de ouvir falar de promoção da habitação por parte do município, fosse através da construção a custos controlados para venda ou para arrendamento, fosse por eventuais incentivos à iniciativa privada.

“Os Censos confirma que não houve acréscimo de habitações disponíveis e a falta de alojamento é, naturalmente, fator de afastamento de jovens casais para outras paragens, promovendo ainda mais a quebra de natalidade”

Na edição anterior do Entre Margens, uma reportagem do jornalista Paulo R. Silva dava conta da impossibilidade de encontrar habitação para arrendamento em Vila das Aves. Os censos confirmam que não houve acréscimo de habitações disponíveis e a falta de alojamento é, naturalmente, fator do afastamento de jovens casais para outras paragens, promovendo ainda mais a quebra da natalidade e o envelhecimento local.

Era bom que estes assuntos passassem a ser prioritários nas agendas dos governantes e dos autarcas.

2O regresso da Taça de Portugal conquistada em 2018 ao Clube Desportivo das Aves é noticiado nesta edição, dando relevo à iniciativa camarária de promover a respetiva licitação no leilão judicial dos bens da insolvente sociedade anónima desportiva e à presença de boa parte dos atletas que tiveram participação na sua conquista. Trata-se de um novo marco na história do clube, mas importa ter presentes as dificuldades assinaladas pelo presidente da direção na assembleia geral que aprovou a conta de gerência da época transata, quando referiu que o caminho jurídico adotado para a superação dos problemas relacionados com a inscrição de jogadores pode ser longo e difícil, tornando-se indispensável cerrar fileiras à volta dos órgãos eleitos. Se os problemas não forem superados corre-se o risco de não poder inscrever  alguns escalões de formação.

Ainda no desporto, mas na alta-roda do campeonato mundial de futebol, saudamos Diogo Costa e Vitinha, os nossos dois conterrâneos presentes no Qatar a representar a seleção nacional. São dois atletas de eleição que, independentemente dos resultados deste campeonato mundial, vamos continuar a ver jogar ao mais alto nível e a participar muitas vezes mais em eventos deste nível. Para a seleção e para a carreira pessoal de cada um dos atletas, os nossos votos dos maiores êxitos. 

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