[Opinião] “Costices” e propostas para 2023

CRÓNICAS/OPINIÃO Rui Baptista

1O Governo apresentou as medidas de combate a inflação, mas aproveitou estes apoios para misturar conceitos e pegar em metade do aumento aos reformados para próximo ano e antecipá-lo para este ano. Esta antecipação vai fazer com que já no próximo ano, e seguintes, os reformados tenham aumentos mais baixos. É claramente um truque para que em 2023 os reformados não tenham um aumento tão elevado. Outro truque é o desconto na factura da luz, que apenas incide sobre os primeiros 100Kwas, o que em média representa um desconto de +/- 1€/mês. Estas são o exemplo perfeito de que se trata mais de comunicação do que acção.

Da receita adicional que o Estado vai arrecadar até final do ano com o aumento da inflação está a devolver aos Portugueses menos de metade. Estas pacotes são, nada mais do que umas “costices” e artimanhas do Governo, uma machadada nos reformados, aqueles que deram a maioria absoluta ao PS.

2Por cá, assistimos nas últimas semanas às reuniões entre o executivo municipal e a oposição para a entrega das propostas para Orçamento de 2023, tendo sido conhecidas algumas propostas de BE, PCP, PSD, CDS e CHEGA.

A começar, o BE colocou a tónica no aumento da inflação e propôs medidas eficazes e com bastante pertinência: desde logo a automatização da atribuição da tarifa social da agua, tal como acontece a nível nacional com a electricidade; redução de varias tarifas municipais; mais investimento em habitação e alargamento da cobertura de transportes públicos.

Por outro lado, o PCP olhou para os trabalhadores do município e propôs que fosse aumentada a abrangência o suplemento de insalubridade; também o melhoramento da rede de transportes públicos; habitação digna; redução dos tarifários dos serviços básicos e uma medida emblemática que é a construção de um complexo termal no Amieiro Galego na Vila das Aves.

O CDS defendeu que a Câmara abdique de parte da sua receita para ajudar os munícipes e também manter o investimento publico necessário na rede viária e serviços básicos.

O PSD apresentou 75 medidas dividas por várias áreas. De realçar o incentivo a natalidade com um cheque de 1.200€ a cada criança, valores aceitáveis e necessários para o nosso município onde nasceram no ano passado apenas 400 crianças.

Apresentou ainda um programa de descarbonização com apoios às famílias e empresas que se queiram tornar energeticamente mais eficientes. Uma proposta que o PSD recuperou e está há muito adormecida é a ligação pedonal de Vila nova do Campo à estação de Lordelo, obra importante para os campenses. O PSD propôs também a redução dos impostos desde IMI, IRS, tendo sido o partido que estruturou e contextualizou as suas 75 propostas ao mesmo tempo que apontou a forma de as executar, em bom trabalho de oposição.

Em suma, todos os partidos defenderam a necessidade de ajuda às famílias no combate à inflação, mas 20 anos depois do início do seculo XXI ainda temos a necessidade de reivindicar saneamento em grande parte do concelho.

3Não podia deixar de referir o “ímpeto reformista” da nossa Junta de freguesia, pois decidiu neste verão requalificar a Rua D. Afonso Henriques. Muito bem, uma obra necessária, mas mais uma vez vemos que lhes falta a visão estratégica e o pensar como um todo. A ligação à Rua 25 Abril mais uma vez ficará por fazer, quando esta seria uma excelente oportunidade. Esta Junta arranja a Freguesia, não muda a freguesia.

Talvez seria bom que o PS lá de Santo Tirso promovesse acções de formação entre Presidentes de Junta e assim o nosso podia ter umas aulas com o seu vizinho de São Tomé.

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