Adeus 2021 e o Grito de Revolta no PSD

Rui Baptista

12021 está prestes a terminar e com ele vai um ano intenso a nível nacional e internacional. Este foi ano que se pensaria pós-pandemia, mas que logo em Janeiro ela entrou no seu ponto mais agudo. Se sentimos algum alivio no Verão, este final de ano relembra-nos que o vírus não está morto e que talvez isto veio mesmo para ficar mais um ano ou dois.

Também foi o ano onde se provou que os Portugueses são capazes de se organizar, trabalhar e cumprir objectivos. Qual eficácia alemã, qual quê! O sucesso do processo de vacinação colocou-nos como campeões do mundo em população vacinada e eficácia na execução do plano de vacinação. Também mostrou que só quando se arredaram os políticos da Task-force da vacinação é que a coisa andou para a frente.

2Politicamente foi um ano muito rico. Desde os ziguezagues da geringonça, ora divórcio, ora amor eterno até ao rompimento final com o chumbo do Orçamento de Estado. Ficamos a saber que os partidos da extrema esquerda (PCP e BE) não tem uma agenda sólida e sustentada para o país. Os motivos de chumbo deste Orçamento foram de menor importância face a muitas outras medidas e atitudes que o PS levou a cabo ao longo destes seis anos. Assistimos a vários Orçamentos aprovados pela geringonça onde os compromissos estavam escritos, mas nunca saíram do papel devido às famosas cativações do Ministérios das Finanças. É um facto que o Governo PS fez menos investimento publico que no tempo da Troika, foi um facto as trapalhadas do agora deposto Ministro da Administração Interna onde sob a sua gestão foi assassinado um cidadão às mãos do SEF e outro foi atropelado e morto pelo seu carro. Mas nada disto fez cair o apoio parlamentar do PS.

As Autárquicas foram o ponto alto deste ano politico e baralharam as contas a toda a gente. A derrota certa de Rui Rio daria conforto ao PS e aos opositores internos no PSD, que se preparavam para avançar e liderar o partido nos últimos dois anos do Governo e gozar do seu natural desgaste.

Só que nem tudo é como se quer e, Rui Rio mesmo não ganhando a maioria das Câmaras ganhou o suficiente para cantar vitoria.

“Será que já perceberam que o tempo em que o cacique local do partido ligava e dizia onde se votava, pagava quotas, ia buscar as pessoas a casa acabou? Já perceberam que os militantes deram ao PSD o “grito do Ipiranga” e disseram basta de arranjinhos e logicas pessoais?”

Rui Baptista

Foi aqui que os militantes deram a maior bofetada de luva branca aos dirigentes locais e distritais do Partido. Já há dois anos tinham dado sinais de que não eram só para abanar bandeiras e depois votar em manada em quem eles mandavam.

A semana passada foi o grito de revolta. A maioria das distritais estavam com Paulo Rangel, Rio só não ganha em Lisboa. Distritos que estavam em unanimidade com Rangel, tal como Porto e Braga, Rio ganha nos dois por larga margem.

O que quer isto dizer?

Será que já perceberam que o tempo em que o cacique local do partido ligava e dizia onde se votava, pagava quotas, ia buscar as pessoas a casa acabou? Já perceberam que os militantes deram ao PSD o “grito do Ipiranga” e disseram basta de arranjinhos e logicas pessoais?

O resultado destas eleições devem ser um “abre olhos” para os dois grandes partidos. Rui Rio ganha porque as pessoas queriam um candidato a Primeiro-Ministro, queriam um partido unido em torno desse projecto.

Com que credibilidade os lideres distritais se apresentam agora diante dos militantes depois de fazerem declarações em nome dos órgãos que representavam a apoiar um candidato que os militantes rejeitaram?

3Um destaque para a eleição do novo presidente do PSD de Santo Tirso, Ricardo Pereira, um militante recente do partido, mas que consegue ganhar as eleições. Espero que seja um momento refundador do PSD em Santo Tirso e agregue todos para que o Partido volte a crescer.

4Uma nota final para o Pe. Fernando Azevedo Abreu que faleceu no passado mês de novembro. Sempre muito acutilante e disruptivo, mas queria apenas destacar o testemunho de fé que sempre demonstrou. A sua vida foi sempre vivida em função da fé que tinha e professava.

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