[Editorial] Realidade e Utopia

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

Nesta edição do Entre Margens destacamos uma entrevista com Alexandra Ferreira, professora gestora da Escola da Ponte, tendo como pano de fundo as celebrações próximas dos 50 anos do projeto educativo iniciado pelo professor José Pacheco na Escola nº 1 da Ponte, Vila das Aves.
Em novembro passado, neste jornal, Pacheco escreveu: “O “Fazer a Ponte” é um projeto de vida pessoal e profissional resultante de uma decisão ética, um projeto que se transformou em algo mais amplo: numa Nova Escola para uma Nova Humanidade”.
O edifício da escola tinha sido construído no período da Ditadura Nacional, imediatamente antes do Estado Novo, a expensas da mãe e do padrasto da professora Dª. Maria Arminda, e não tinha tido quaisquer alterações estruturais quando aí foi colocado o professor Pacheco, faz 50 anos.
Foi depois demolida e construída, no mesmo local, a escola de área aberta P3 onde a Associação de Reformados, o karaté e o teatro Aviscena têm atualmente a sede.
Nessa escola renovada, o grupo de professores liderado por José Pacheco, juntamente com a associação de pais de alunos, desenvolveu o projeto educativo que se notabilizou pelos seus aspetos inovadores e se tornou internacionalmente conhecido. O Entre Margens acompanhou a história da escola e registou, ao longo dos anos, inúmeras notícias e textos demonstradores da importância do projeto.
No editorial da edição de agosto passado fizemos algumas considerações sobre a evolução do projeto, tendo referido a génese do processo de mudança para novas instalações em Negrelos, ocorrido em 2012. O próprio José Pacheco, na edição seguinte, veio esclarecer e reafirmar os seus pontos de vista. Segundo ele, o projeto foi “traído e exilado” com a mudança, dando a entender, em vários textos publicados, que não avaliza o trabalho realizado por professores e pais de alunos, nos últimos catorze anos.
A nossa intenção é dar a conhecer o que se faz na atual Escola da Ponte, em Negrelos, para que se possa formar uma ideia, ainda que limitada, do que ela possa representar no atual panorama do ensino básico e as particularidades do projeto em vigor na escola.
É verdade que, como escreveu José Pacheco, na última edição do Entre Margens, o projeto “emigrou” para outros países, onde “é inspiração para educadores conscientes”. É também por isso que deve ser valorizado o esforço e a dedicação de quem foi forçado a “emigrar”… para a outra margem do rio Vizela. E que, no final de contas, prova a vitalidade de uma Nova Escola cujo ideário desafia alcançar a utopia (todos os dias desmentida) de uma Nova Humanidade.

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