[Editorial] Criar memória

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

Para uma comunidade, uma das grandes vantagens da existência de um jornal é o registo daquilo que, ao longo do tempo vai sendo debatido, proposto e executado, de forma a criar memória para a história local.

Parece óbvio que a imprensa escrita, neste aspeto concreto da construção da memória, é mais eficiente do que as chamadas redes sociais, de consumo imediatista, leitura superficial e fácil limpeza para o balde do lixo do sistema.

A conjugação do jornal impresso com um arquivo digital facilita a consulta e a confrontação, ao longo do tempo, do que se vai anunciando e executando, num processo de escrutínio indispensável numa democracia consolidada.

Entrar no arquivo do Entre Margens (e é fácil fazê-lo porque está disponível no site do jornal) permite revisitar o passado, esmiuçar anúncios de intenções, algumas nunca transformadas em ato e analisar divergências entre prazos anunciados e prazos conseguidos. Sendo certo que, em muitas circunstâncias haverá razões justificativas para o arrastar dos procedimentos ou para o seu abandono, esclarecimentos e justificações mereceriam registo em tempo oportuno.

Algumas notícias nesta edição do jornal são exemplo de como o apelo à memória completa enquadramento noticioso.

É notícia o início das obras de adaptação do edifício da antiga junta de freguesia de S. Salvador do Campo para novo polo do CAID (Cooperativa de Apoio à Integração do Deficiente). O primeiro anúncio da criação desta nova valência do CAID foi feito na edição 567, de setembro de 2016. Escrevia-se: “Sobre a reformulação do edifício, que já tem o acordo da Segurança Social para o projeto e que representa um investimento de cerca de 700 mil euros” e apostava-se em “a CAID, com a ajuda da Câmara Municipal e de fundos comunitários conseguir implementar este projeto a curto prazo”.

É notícia a adjudicação da empreitada de requalificação do recinto da feira de Santo Tirso, obra que “visa manter a dupla função de parque de estacionamento gratuito e de espaço para a realização da feira semanal”.  Na edição 554, de fevereiro de 2016 foi dada notícia da apresentação do projeto vencedor de concurso de ideias para o mercado municipal, englobando também o recinto exterior. “A ideia era que em todo o perímetro houvesse espaços verdes para dar a ideia de parque”.  Esquecida que foi a intervenção no Mercado, já que o Tribunal de Contas vetou o contrato para o projeto, terá sobrado alguma coisa das ideias da arquiteta espanhola Laura Alvarez, que preconizava que “um estacionamento à superfície, no centro da cidade, corta a vida à cidade”?

É notícia a transformação em jardim de um espaço até agora abandonado nas imediações da estação de Vila das Aves. Vinte anos depois da inauguração da estação e da via férrea remodelada e tido como responsabilidade da antiga Refer, ainda bem que fica apresentável. Recorde-se, porém, que na edição 596 de janeiro de 2018 foi notícia a celebração de um protocolo para a gestão, pela câmara municipal, do edifício da estação. Com o Parque do Verdeal já concluído, ainda se não enxerga qualquer avanço no sentido de melhorar apresentação e funcionalidades para que sirva também, como prometido, de apoio ao Parque.

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