[DESTAQUE] PSD tenta ‘juntar os cacos’ após desaire eleitoral

Quitéria Roriz assumiu as responsabilidades e apresentou a demissão da liderança da Comissão Política Concelhia. Plenário serviu para retirar as conclusões dos resultados das autárquicas onde se fizeram ouvir as vozes dissonantes do caminho trilhado. Eleições para a concelhia estão marcadas para 4 de dezembro.

Quando a queda é tão vertiginosa quanto aquela que o PSD sofreu no passado dia 26 de setembro, é expectável que as hostes de um partido político fiquem em brasa. Aliás, uma passagem panorâmica pelas redes sociais no dia seguinte, fazia adivinhar essa ânsia para discutir o pesadelo da noite anterior. Afinal, o caso não era para menos.

A coligação “Valorizar Mais” que juntou pela segunda eleição consecutiva PSD e CDS/PP na luta autárquica em Santo Tirso obteve o pior resultado de sempre na história do partido no concelho. A candidatura liderada por Carlos Alves à Câmara Municipal arrecadou apenas 18,63%, que se traduziu em dois mandatos no executivo.

Na Assembleia Municipal, o resultado não foi muito melhor, tendo os sociais-democratas conquistado 21,16% dos votos e somente 6 deputados, não conseguindo vencer qualquer uma das 14 juntas de freguesia. Resultados que ficaram longe, muito longe das eleições apertadas entre PS e PSD de meados dos anos 2000 quando João Abreu obteve 43,11% e 41,54% dos votos em 2005 e 2009, respetivamente.

“A culpa [do desaire eleitoral] foi das duas últimas comissões políticas”

Carlos Valente

No plenário da Comissão Política Concelhia (CPC) ouviram-se críticas, muitas críticas, das mais variadas fações internas, com as respetivas justificações da atual gestão. Um post mortem onde a presidente da concelhia tirsense, Quitéria Roriz, assumiu as responsabilidades pelo resultado e apresentou a demissão.

“Uma semana após as eleições, a comissão política liderada por mim demitiu-se junto do presidente da mesa do plenário, Gonçalves Afonso”, confirmou a líder da concelhia ‘laranja’, Quitéria Roriz, ao Entre Margens. “Demitiu-se porque é assim que devemos proceder para assumirmos as responsabilidades sobre os maus resultados do PSD”, sendo que continuará em gestão até às eleições marcadas para o próximo dia 4 de dezembro, coincidentes com as diretas a nível nacional entre Rui Rio e Paulo Rangel.

Tamanho do desaire surpreendeu

Quando se parte para eleições, existe sempre a real possibilidade de perder. O problema para o PSD em Santo Tirso nas eleições autárquicas de 2021 não foi a derrota, mas sim o tamanho da mesma. Valores que surpreenderam até os responsáveis da campanha.

Partidos como PSD ou CDS partem sempre para eleições com o objetivo de vencer. Quando isso não é possível, no entanto, “o objetivo, seria posicionarmo-nos o melhor possível em todos os órgãos autárquicos. A surpresa foi termos um resultado que é obviamente muito baixo.”

Ao Entre Margens, a líder partidária apontou alguns fatores que contribuíram para este resultado. O PS enquanto partido de poder há 40 anos consegue “ter uma máquina de apoios que qualquer outro tem muita dificuldade em garantir” a que se junta o facto de a câmara municipal “ser o maior empregador do concelho” o que, quer se queira, quer não, “tem muito peso”. Depois, o aparecimento de novos partidos conduziu a uma dispersão de votos que, juntamente com a abstenção, fez com que o próprio PS perdesse votos. Depois, não esquecer os fenómenos de Monte Córdova e Agrela que condicionaram o partido em duas freguesias em que era poder.

Ora, dentro do partido, as opiniões sobre o que conduziu a esta larga derrota vão bem mais longe, colocando em causa o trabalho da comissão política. Uma das vozes críticas foi a de Carlos Valente. O ex-presidente de junta de Vila das Aves e vereador na câmara municipal de Santo Tirso no mandato que agora terminou levou consigo uma missiva onde apontou aqueles que considerou os responsáveis pelo resultado obtido em setembro passado.

“A culpa foi das duas últimas comissões políticas”, apontou, sem hesitação, em conversa com o Entre Margens. “Em 10 de agosto já tinha escrito uma carta à presidente da comissão política, onde dei a entender que a falta de trabalho para se preparar as eleições era nítida e questionei qual era o objetivo: ganhar ou apenas passar tempo a brincar às eleições”.

Quanto às eleições internas, os apelos ao consenso têm sido muitos, mas o cenário de lista única não parece estar em cima da mesa. Quitéria Roriz já assumiu a vontade de se recandidatar ao cargo, mas segundo o Diário de Santo Tirso também Ricardo Pereira está a preparar uma lista para ir a votos.

O resultado das autárquicas do passado dia 26 de setembro parece ter sido o fundo. Resta agora saber se o sufrágio interno vai permitir agregar todo o partido sob um desígnio comum, sem ‘ses’, nem ‘mas’.

[ O artigo completo pode ser lido na última edição (681) do Jornal Entre Margens]

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