[Entrevista] José Magalhães: “Queremos ser um partido prático e pragmático, não idealista”

Candidato da CDU à câmara municipal de Santo Tirso é uma das faces da renovação da coligação a nível autárquico. Objetivo é adaptar os valores de sempre a uma realidade em mutação veloz. Habitação, emprego e ambiente são os alicerces da campanha.

Associação Amigos do Sanguinhedo, Ponte Velha, Santo Tirso

São novos os ventos que sopram na campanha da CDU para as eleições autárquicas em Santo Tirso. Após anos em que os nomes se revezavam nas várias listas que se apresentavam a votos, para as autárquicas de 2021 o cenário é outro. Os nomes apresentados para liderarem candidaturas são novidades nestas andanças, deixando uma mensagem bem clara: a CDU está bem e recomenda-se.

José Magalhães é a aposta para a câmara municipal. Foi candidato à União de Freguesias da cidade há quatro anos, o desafio agora é bem maior. Diz-se preparado para trazer para o debate político as preocupações de uma classe trabalhadora em mudança, com novos problemas e aflições que vão desde a precaridade laboral, à habitação e ao ambiente.

Não foi, portanto, por acaso, a escolha da Ponte Velha para a realização da entrevista. Um local de confluência e que “marca uma divisão na cidade” entre o lado rico e moderno com o local onde “historicamente começaram a morar os operários e cresceu mais desorganizada”. Uma “fronteira na luta de classes”, como simbolicamente define.

José Magalhães em conversa com o Entre Margens na Ponte Velha, em Santo Tirso

A CDU tem apresentado uma renovação dos rostos que estão a representar a coligação nestas eleições. Estava na hora de fazer esta renovação?

É um esforço que o partido tem feito nos últimos anos para deixar a semente para o futuro. É um caminho natural que o partido tem que trilhar.

Esta renovação terá sido motivada pelos resultados que ficaram aquém das expectativas em 2017?

Os resultados não foram naturalmente os que esperávamos, mas estou em querer que mesmo que tivéssemos bons resultados, ia fazer-se na mesma. Não pensamos eleição a eleição. Pensamos estas questões mais a longo prazo.

Quais foram as razões que o levaram a aceitar ser candidato à câmara municipal?

Estas decisões são sempre tomadas de forma coletiva. Há quatro anos fui candidato à junta de freguesia de Santo Tirso. Fizemos uma boa campanha, porventura, os resultados eleitorais não tiveram a expressão que queríamos, mas neste partido não olhamos só para os resultados eleitorais como se fosse o critério absoluto de tudo. Foi na sequência deste trabalho desenvolvido que os camaradas acharam que estaria à altura deste novo desafio.

Na apresentação da sua candidatura descreveu-se como “o exemplo de uma geração que se viu obrigada a fazer uma escolha: emigrar ou ficar na sua terra e trabalhar quer como precário, quer como abaixo das suas qualificações”. Sente que pode criar empatia com o eleitorado, tendo em conta estas vivências?

O nosso partido sempre foi definido como o partido dos trabalhadores. Sempre tivemos essa preocupação pela representatividade da classe operária. Nesse sentido, encaro-me também como um trabalhador de hoje: das condições modernas, muitas das vezes com pessoas a trabalhar fora da sua área e/ou precários. Eu vivi essa experiência, sei o que as pessoas da minha geração passam.

O executivo municipal tem usado os indicadores económicos e de emprego como grande bandeira de sucesso. No que é que esse sucesso se tem traduzido na sociedade tirsense?

Não podemos negar que tem havido criação de emprego em Santo Tirso. A grande questão é que tipo de emprego. Há pouca criação de emprego qualificado. Não basta só criar emprego. É preciso emprego de qualidade que garanta qualidade de vida.

Quando olha para o concelho de forma geral, o que lhe salta à vista?

Temos um concelho com muito potencial a nível geográfico, com a proximidade que tem a grandes polos urbanos. É um concelho esteticamente bonito. Toda a gente que cá vem fica encantado. Temos muita história, sobretudo as freguesias, onde cada uma tem uma identidade muito própria.

A nível negativo, a questão da habitação e da população. A taxa de envelhecimento teve um aumento brutal nos últimos anos. É o principal problema que ainda não terá sido equacionado de forma devida.

Em 2017 foi candidato à união de freguesias aqui da cidade. Com o processo de desagregação a voltar à ordem do dia, será benéfico para as populações regressar a essa independência do passado?

Se nos perguntarem que benefícios trouxeram as uniões de freguesias, são difíceis de encontrar. Só trouxe perdas para a população.

Veja-se Santo Tirso ou Vila Nova do Campo, onde até mudaram o nome, o que levou a alguma revolta das populações, também em Refojos e Carreira foi criado um movimento com uma petição a circular já com 450 assinaturas, o que numa população com cerca de 800 pessoas é significativo.

A nossa posição tem sido apoiar onde a população se insurge e têm surgido vários focos de contestação. Esperemos que os outros partidos clarifiquem a sua posição.

A CDU integrou neste último ciclo autárquico o executivo da junta de freguesia de Vilarinho, mostrando-se uma peça fundamental no xadrez político. Valeu a pena?

Valeu a pena porque conseguimos ter influência na governação e conseguimos avançar com algumas propostas do nosso programa. Nunca nos recusamos a trabalhar com qualquer força política. Não gostamos meramente de ficar na oposição.

Espero que sirva de exemplo para demonstrar que podemos ser úteis. Queremos ser um partido prático e pragmático, não idealista, como alguns dizem. Vilarinho foi a prova disso mesmo.

[Ler Entrevista Completa na Edição 675 do Entre Margens]

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