[Opinião] Em roda viva

Castro Fernandes CRÓNICAS/OPINIÃO

No mês passado levantei alguns problemas referentes ao Hospital de Santo Tirso, à Escola Agrícola e à situação do edifício da sede da Junta de Freguesias da UF de Santo Tirso. Do que se sabe a Secretária de Estado da Saúde visitou na semana passada a sede do Centro Hospitalar de Médio Ave – Hospital de Santo Tirso – onde terá reunido exclusivamente com o Conselho de Administração. Admite-se que a representante do governo terá dado conhecimento ao CA do ponto da situação referente à entrega da gestão do hospital público à Misericórdia e/ou à União de Misericórdias. Desconhece-se se a Secretária de Estado reuniu com o presidente da Câmara Municipal, como era natural dado o pedido de audiência feito no início de dezembro à Ministra da Saúde.

Quanto à questão da situação da Escola Agrícola sabe-se que o Presidente da Comissão Política do PSD reuniu com a Direção da Escola Agrícola e lhe comunicou que esta se manterá em funcionamento no próximo ano e que será feito um contrato para isso. Estranha-se que seja um dirigente partidário a comunicar publicamente como funcionará uma escola pública para futuro, quando quem o devia fazer pública e oficialmente era o Ministério da Educação, a própria Misericórdia, como proprietária das instalações, ou mesmo a Câmara Municipal como representante dos cidadãos de Santo Tirso.

Também na semana passada o Secretário de Estado do Ambiente visitou a empresa Vizelpas, em Vilarinho. A acompanhar a visita esteve presente o presidente da Câmara de Santo Tirso, bem como os candidatos do PSD à Câmara e à Junta de Freguesia de Vilarinho! Estranha-se que presidente da Junta de Vilarinho não tenha sido convidado, enquanto representante oficial da freguesia, durante a visita oficial de um membro do governo.

Tivemos também conhecimento, através do Ministro da Coesão Territorial, Castro Almeida, que iria ser feito a Bruxelas um pedido de reprogramação financeira do PRR. Segundo a informação divulgada, a área da mobilidade sustentável será a mais afetada com menos 416 milhões de euros, e com impacto em Santo Tirso dado investimento nesta área. Também a habitação receberá menos 391 milhões de euros. Das 6.800 habitações a custos acessíveis previstas apenas 3.300 habitações se manterão o que representa um rude golpe para menos de metade do previsto. Quando se sabe que nos últimos cinco anos o preço das habitações duplicou pelo menos em 27 municípios, mais se percebe que, com a redução prevista, o município de Santo Tirso irá manter o preços e rendas das habitações muito elevados face à escassez de investimento público.

A registar a decisão da Assembleia da República de desagregar mais de 300 freguesias, fazendo-as regressar à origem, contra a lei Relvas de 2013, do governo PSD/CDS, que decidiu então a fusão de mais 1.168 freguesias num processo que não teve em conta a sua evolução política, histórica, geográfica, religiosa, social e económica.

Saúda-se esta decisão corajosa da Assembleia da República que optou por mais autonomia e mais proximidade para os cidadãos. À volta de Santo Tirso os concelhos de Paços de Ferreira, Guimarães, Famalicão, Trofa, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Matosinhos, Vizela e Valongo, decidiram que freguesias fossem desagregadas e regressassem à origem. Infelizmente por cá, apesar de algumas movimentações, cedo se percebeu que o poder político local, incluindo o PSD, não defendia o regresso das 14 freguesias às 24 pré-existentes antes de 2013. Certamente que um dia se corrigirá este enorme erro da lei de 2013.

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