[Editorial] Quem semeia ventos, colhe tempestades

CRÓNICAS/OPINIÃO Diretor

1Releio o que escrevi na edição anterior do Entre Margens: Putin e Trump usam a mesma lógica de conquista, de domínio e de sujeição para com os vizinhos que atrapalham as suas ambições de grandeza. É Isso que garante que a guerra na Ucrânia não vai parar tão cedo. E que outras, entretanto, começarão.

Esse “entretanto” foi extraordinariamente curto. Em 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos lançaram uma ofensiva sobre o Irão que decapitou a estrutura política do regime, causou alvoroço na população que começou por acreditar em mudanças, mas não acabou com a resistência. O regime, dito teocrático, por ser dominado por religiosos muçulmanos do ramo xiitas, não parece ter sido abalado de forma significativa, o que impede Trump de cantar vitória. E, sem uma vitória evidente, como vão terminar a operação militar especial? Como Putin, na Ucrânia, prolongando a guerra, que, entretanto, vai lançando o caos na economia mundial.

Enquanto que na guerra da Ucrânia a resistência ao inimigo invasor está alicerçada no patriotismo e em episódios históricos dolorosos de uma vizinhança conturbada, na resistência do Irão as motivações de índole religiosa fazem crescer o fanatismo com apelo e apego ao martírio. Isto estende o conflito, que era interno (entre o povo desejoso de reformas e as autoridades inflexíveis na aplicação de rígidas normas de discriminação) e passou a ter uma componente externa, que se espalha em múltiplas frentes e tem potencial para espalhar o terror por todo o lado.

Empolgado com a supremacia tecnológica das suas armas e com o desígnio da sua “fúria épica”, Trump pode ter entrado num beco sem saída, uma vergonha para quem se ufanava de acabar guerras.
Alguém lhe devia ter lembrado a tempo que o importante não é acabar guerras: importante é acabar com o começo da guerra.

2Podem dizer que é preciso paciência. Quando os trabalhos têm como objetivo requalificar o centro da Vila das Aves, é inegável que é necessário esperar e dispor de uma boa dose de paciência. Até porque o tempo não tem ajudado, a chuva tem sido muita. Mas também é verdade que algumas frentes de obra meio terminadas podiam ser abertas ao trânsito de modo provisório, minimizando os efeitos na circulação e nas atividades económicas. A pouco e pouco vão sendo derrubadas algumas barreiras, mas deve ser possível elaborar planos de trabalho menos constrangedores.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

eighteen − three =