[Crónica] Seguro, pela democracia, pela República, por Abril

CRÓNICAS/OPINIÃO Hugo Rajão

Esta crónica terá um tom diferente do habitual. Em 50 anos após o 25 de abril, nunca o regime democrático esteve tão em risco quanto no momento presente. 50 anos que uns, adotando um maximalismo dúbio, desprezam como um fracasso.

Desprezam, mas sem razão. Foram 50 anos em que conseguimos construir uma sociedade livre e democrática. Deixamos para trás o analfabetismo, a mortalidade infantil e a insalubridade. 50 anos em que descolamos e passamos a alinhar com o modo de vida europeu. As perceções do Tiktok e dos reels podem ser marteladas ao sabor do candidato da extrema-direita e do seu séquito, mas as estatísticas não deixam margem para dúvidas. Abril suplantou a miséria amordaçada que um Salazar (imaginem se fossem 3, como o candidato sugere) nos havia deixado.

Certamente, o país tem problemas. Continua a ser um país desigual, relativamente pobre e com enormes desafios.

É preciso reconhecer, no entanto, que, se hoje perdemos em comparação com uma parte não negligenciável dos nossos vizinhos europeus, há 50 anos nem sequer podíamos estabelecer qualquer tipo de comparação com eles. Se hoje estamos no fim do pelotão, há 50 anos nem sequer tínhamos lugar nesse mesmo, tamanha era a nossa precária condição de desenvolvimento.

Além disso, os nossos problemas não são reflexo da natureza democrática do regime. Pelo contrário, os nossos problemas refletem, quando muito, democracia por cumprir. O caso português é claro. O desenvolvimento é indissociável da democracia.

Não obstante, nesta segunda volta, há um candidato que despreza a nossa democracia e as nossas conquistas. Um candidato que invoca três Salazares, e que nos promete um caminho de caos e de ódio para a miséria amordaçada de outrora. Não oferece uma única solução para qualquer um dos nossos problemas (uma única). Apenas uma narrativa alheada da verdade. Esse candidato é André Ventura.

Do outro lado, há outro candidato. Um candidato de quem discordei algumas vezes no passado e de quem quero continuar a poder fazê-lo, quando for o caso. Mas um candidato para quem a pluralidade, mesmo quando lhe é avessa, é uma virtude sistémica. Um candidato de quem posso discordar sem que, por tal ato, mereça retaliação ou desqualificação pessoal, mas respeito democrático (ao contrário do outro).

A democracia é o único palco da concórdia e da discórdia.

Nesta segunda volta, só há um candidato que a ama, que a respeita e que é capaz de protegê-la. Esse candidato é António José Seguro.

António José Seguro não é apenas um candidato dos Socialistas. É um candidato dos Socialistas, dos Social-Democratas, dos Liberais, dos Democratas-Cristãos, dos Comunistas. Dos Conservadores e dos Progressistas. Um candidato dos humanistas, confessionais ou laicos. Em suma, o candidato dos democratas.

Porque precisamos que a nossa democracia viva para que possamos continuar a coexistir com as nossas diferenças políticas.

Por isso, caros democratas, caros democratas de outras famílias e tradições políticas que não a minha, unamo-nos à volta de António José Seguro.

Amanhã discordaremos. Mas também é isso que está em causa. O nosso direito de discordar!
Democratas de todo o mundo, uni-vos!

Dia 8! Seguro, pela democracia, pela república, por abril.

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