Informação avançada pelo PCP revela data limite para a continuidade da unidade hospitalar sob gestão pública. Movimento de utentes promete “lutar até ao limite” e anuncia protestos a começar já por este sábado.
A continuidade do Hospital de Santo Tirso sob gestão pública parece ter os dias contados. Segundo o PCP, a unidade hospitalar tirsense irá passar para a Misericórdia a 31 de março. Ora, na linha da frente da luta, o Movimento de Utentes do Hospital de Santo Tirso reuniu para debater o futuro da unidade de saúde tirsense e da sessão saiu a garantia de que a luta irá até ao limite.
Rodrigo Azevedo é um veterano destas lutas. Esteve nas várias lutas travadas na rua nas últimas décadas. Agora, em conversa com o Entre Margens, diz que entre os participantes neste debate, realizado na junta de freguesia da cidade, no passado dia 25 de janeiro, o sentimento é comum: a defesa da continuação do hospital de Santo Tirso no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
“Tivemos profissionais que estão a trabalhar no setor de saúde, desde serviços administrativos, enfermeiros, auxiliares”, revelou. E, embora seja necessário responder a algumas questões prementes, “continuamos a considerar que o setor público responde e é muito mais humanista e sensível do que o setor privado”.
Reconta um episódio que vivenciou de perto, com o irmão, emigrante na Alemanha e que apesar do seguro de saúde, pagou uma quantia elevada no hospital da Trofa só para ser enviado no dia seguinte para hospitais da rede pública.
“Está provado e mais do que provado que o setor público, nas questões que são de necessidade objetiva e resposta a problemas muito concretos, é a única salvaguarda”, realça.
É precisamente pelos longos anos de participação cívica ativa que Rodrigo Azevedo não se mostra surpreendido pela intenção do Governo liderado por Luís Montenegro de passar a gestão do hospital de Santo Tirso para a Misericórdia. É, apenas, o retomar de um processo antigo.
“Isto é o que acontece quando a direita, com PSD e CDS, e às vezes com responsabilidade do PS, assume o poder”, afirma. “É surpresa apenas porque veio num tempo muito curto de poder.”.
Apesar do cenário ser nubloso, e o futuro do hospital de Santo Tirso na esfera pública poder estar contado, Rodrigo Azevedo sublinha que há algo do qual não tem dúvidas: “vale sempre a pena lutar”.
“Os cidadãos, aqueles que precisam do acesso a serviços públicos de saúde capazes de resolver os problemas, precisam que continuemos a lutar”, remata.
Isto significa que os próximos tempos serão de atividade intensa. Antes deste debate, o movimento de utentes fez ações de proximidade, nas feiras, para a distribuição de um documento a alertar as populações para este problema.
Mas a luta pela consciencialização da população vai seguir passos mais concretos. Para dia 8 de fevereiro está marcada uma Tribuna em defesa da gestão pública do Hospital de Santo Tirso.
“Santo Tirso não pode ficar sem um hospital público”, alerta. “Lutamos contra o encerramento da maternidade. Lutamos contra a perda de valências e vamos continuar a lutar contra a entrega do hospital à Misericórdia”.