Andreia Neto e Sofia Andrade no Parlamento num país perante uma encruzilhada

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Deputadas tirsenses foram reeleitas para a Assembleia de República. PS vence no concelho de Santo Tirso, mas não faz o pleno nas freguesias. AD leva a melhor em Água Longa, Reguenga e Agrela.

O país perante uma encruzilhada sem saída à vista. A Aliança Democrática (AD) venceu as eleições legislativas no passado dia 10 de março com 29,49% dos votos (28,63% no Continente e Açores a que se somaram os 0,86% da coligação PSD/CDS na Madeira que não inclui o PPM) para um total de 79 deputados.

Uma vitória à justa perante o Partido Socialista (PS) que arrecadou 28,63% dos votos, elegendo 77 deputados, que vai permitir a Luís Montenegro chefiar o próximo Governo, mas sem garantias de estabilidade duradoura. O líder social-democrata sempre se apresentou contra coligações com o Chega e, sem o partido de André Ventura, a direita democrática (AD+IL) não consegue atingir a maioria no Parlamento para fazer aprovar um orçamento.

O partido de extrema-direita disparou de 7,18%, em 2022, para 18,06% dos votos, mais de um milhão de votos, passando de 12 para 48 deputados na AR. Foi o claro vencedor da noite, já que qualquer solução política esbarra nas suas ambições.

Como já havia referido durante a campanha, Luís Montenegro voltou a afastar cenários que incluam o CH na reação aos resultados em plena noite eleitoral, enquanto Pedro Nuno Santos, líder socialista, se apresentou de imediato como líder da oposição, garantindo, no entanto, que não colocará obstáculos indigitação do líder da AD como primeiro-ministro. Conversa diferente quando o assunto é a aprovação de orçamentos de Estado. Se assim for, o próximo Governo terá os dias contados.

Entre os restantes partidos, a Iniciativa Liberal (IL) surge na quarta posição com 5,08% dos votos, elegendo 8 deputados. Uma ligeira subida percentual que não altera o número de eleitos para o Parlamento em relação a 2022. O mesmo acontece com o Bloco de Esquerda (BE). Mais votos, mas o mesmo número de eleitos, tendo arrecadado 4,46% e eleito os mesmos 5 deputados. Também o PAN voltou a eleger a sua líder, Inês Sousa Real, como deputada única na AR.

Coube, no entanto, ao Livre a grande surpresa da noite. O partido liderado por Rui Tavares quase que triplicou a votação de 2022, passando de 1,28% para 3,26% dos votos. Os ecologistas conseguiram eleger um grupo parlamentar com 4 elementos.

O mesmo número de eleitos da CDU que regrediu em percentagem de voto, ficando-se pelos 3,30% dos votos, aquém dos 4,40% de 2022. Em relação às últimas legislativas, a coligação entre PCP e Os Verdes elegeu 4 deputados, menos dois deputados do que anteriormente.

Confusão ou não, o grande fenómeno do sufrágio foi a votação no ADN (Alternativa Democrática Nacional) que atingiu os cem mil votos em todo o país, dez vezes mais do que em 2022, mas vai continuar sem representação na AR.

Vitória ‘rosa’ em Santo Tirso, mas longe do pleno

Em território do concelho de Santo Tirso, o PS voltou a ser o preferido, mas bem longe dos resultados de 2022. Os socialistas venceram com 33,84% dos votos, quando nas últimas legislativas tinham obtido 47,06%.

Já a AD não capitalizou totalmente com a descida do PS. A coligação de centro direita obteve 28,85% dos votos, ligeiramente abaixo em termos percentuais do que em 2022, quando tinha atingido os 30,82%, vencendo nas freguesias de Água Longa, Agrela e Reguenga, tal como agora.

A questão é que a subida exponencial do Chega, também em Santo Tirso, baralhou todas as contas, mais do que triplicando a votação de há dois anos. Dos 4,41% dos votos, fixou-se agora nos 15,20%.

A IL subiu para os 4,97% e o BE segurou a votação que obterá há dois anos com 4,47% dos votos. O Livre confirmou o resultado nacional também no concelho, obtendo 2,50% dos votos, enquanto CDU (2,09%) e PAN (1,87) se viram ultrapassados em percentagem de votação pelo ADN (2,18%).

Andreia Neto e Sofia Andrade regressam ao Parlamento

Nas contas para a eleição de deputados provenientes do concelho, ficou tudo na mesma. Andreia Neto, número 6 nas listas da AD pelo círculo do Porto, rapidamente confirmou o regresso à Assembleia da República.

Sofia Andrade teve de esperar um pouco mais. A queda na votação do PS fez com que a deputada socialista, número 12 das listas pelo círculo do Porto, fosse uma das últimas eleitas a carimbar a presença no Parlamento.

Ana Isabel Silva, número 4 pelo BE, e João Ferreira, número 2 pela CDU, acabaram por ficar longe da eleição. Os bloquistas elegeram dois deputados pelo Porto, enquanto os comunistas elegeram apenas o cabeça de lista, tal como já acontecera em 2022.

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