O país foi empurrado para eleições legislativas antecipadas e, antes disso, o debate esteve centrado nas eleições presidenciais. Este contexto tem retirado atenção a um ato eleitoral fundamental: as eleições autárquicas.
Estas eleições influenciam cada vez mais as nossas vidas, principalmente num momento em que tantos serviços estão a ser municipalizados. Se queremos resolver problemas como o acesso à habitação, preços de serviços básicos como a água e o saneamento, condições das escolas ou melhores condições no emprego, tudo isto passa por quem nos governa localmente.
Santo Tirso tem dado demasiadas oportunidades, aos mesmos, desde há muito tempo. Estamos há demasiado tempo agarrados ao mesmo grupo, às mesmas pessoas, ao mesmo partido e à mesma falta de ideias. É necessário inovar e isso começa por ter um novo balanço de forças no concelho.
Há 50 anos que o PS está no executivo da Câmara de Santo Tirso e na maioria das juntas de freguesia. Há muito a dizer sobre estas últimas décadas de governação, mas basta olhar para alguns dos candidatos anunciados, percebemos bem a estagnação a que o PS em Santo Tirso chegou. Será por falta de caras novas ou por receio de perder o controlo?
Vejamos alguns exemplos. A união de freguesias de Além Rio, pode estar a poucos passos do centro da cidade, mas está a uma enorme distância no acesso a serviços básicos. Muitas casas continuam sem saneamento básico, as escolas precisam de investimento, os passeios estão degradados. O atual presidente da junta não se pode candidatar, por ter atingido o limite de mandatos. O PS apresenta como candidato Delfim Maia, antigo autarca de Sequeirô, cuja gestão deixou poucas saudades. Membro do atual executivo da junta, é uma das vozes que mais se opõe à gravação transmissão das assembleias de freguesia, chegando mesmo a afirmar que se demitiria se tal acontecesse. Podemos apenas especular porquê.
Na união de freguesias de Santo Tirso, Couto (S. Cristina e S. Miguel) e Burgães, o vereador há mais de duas décadas, salta agora para candidato do PS à junta de freguesia. É o mesmo que viu o presidente da Câmara retirar-lhe o pelouro do bem-estar animal após o incêndio na Agrela. Que mais há a dizer?
É hoje anunciado neste jornal um rosto alternativo para a Câmara Municipal, e assumo que não sou imparcial. Embora tenha concorrido nas últimas autárquicas, a minha vida profissional impede-me de assumir o mandato para o qual me candidataria. Por isso, apoio a candidatura de António Soares.
Ao longo dos últimos anos, acompanhei o António Soares como deputado municipal. A forma como o executivo e o presidente da Assembleia Municipal, Fernando Benjamim, o trataram envergonharia qualquer tirsense. Por ser jovem, por questionar, por exigir respostas, foi alvo de ataques digno de rufias – vindos de quem ocupa o poder há décadas.
Durante todo este tempo, respondeu de forma exemplar, sabendo que nada disto era sobre ele. Os ataques não eram sobre ele, mas sim sobre um poder instalado que via o seu poder absoluto ameaçado.
O problema é que, como as assembleias municipais não são gravadas nem transmitidas online, os tirsenses não testemunham a falta de transparência e a cultura antidemocrática que ali se pratica. Cabe-nos denunciá-la, mesmo sabendo que a mensagem é difícil de passar — e de acreditar.
António Soares viu de perto como o poder reage quando se sente ameaçado e, em vez de recuar, elevou o debate. Em vez de recuar, disse presente! E já conhecemos o ditado: insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.