Davos é uma estância de esqui suíça onde, desde há mais de cinquenta anos, se reúnem empresários e políticos no que agora se chama Fórum Económico Mundial. Este ano participaram três mil delegados de 130 países, incluindo 65 chefes de Estado e de governo. Os noticiários da semana passada encheram-se com os discursos e as reações aos discursos proferidos nesse local.
O destaque, pela negativa, foi para o presidente americano, sempre disponível para encenar o seu show. As ameaças de tomada da Gronelândia e de retaliação e insulto à Europa, cheias de mentira e desprezo por parte de Trump, mais uma vez o denunciaram como um negociante aventureiro e sem escrúpulos, à procura de vantagens económicas. Confirmando, aliás, o que há poucas semanas demonstrara no rapto de Maduro, declaradamente feito pelo interesse no petróleo venezuelano.
Infelizmente, não é só na política externa que o presidente americano tropeça em contradições e mal-entendidos. Ao mesmo tempo que vai chamando idiotas aos seus antecessores, a sua ideia de “tornar grande a América, outra vez” está a criar divisões internas de grande dimensão e já com alguns sinais alarmantes de conflito armado. A perseguição a imigrantes revela a desumanidade dos governantes numa nação feita de imigração. E a economia do país não parece saudável como propalado e necessário.
O desprezo pelas instituições internacionais é notório e Trump apareceu como promotor de um “Conselho da Paz”, para reconstrução e manutenção da paz, em paralelo ou em alternativa às Nações Unidas. Isto apesar de se não sentir obrigado a pensar na paz, porque, afirmou, a Noruega lhe não deu o prémio Nobel. O poder ainda lhe permite continuar com seguidores internos e externos mas começa a tornar-se indisfarçável o declínio da importância relativa dos Estados Unidos como superpotência.
Conseguirão os americanos, num reviver da força da democracia, pôr travão a Trump e aos seus dislates?
O futuro de Portugal tem evidentes ligações com o futuro da Europa e dos seus aliados. A simples ideia de observar e analisar o que se passa à nossa volta pode ajudar a evitar atitudes que comprometam o bem-estar futuro e o progresso da nação.
Evitar o divisionismo e o radicalismo como o que se tem vindo a instalar na sociedade americana e que parece querer grassar na Europa é um imperativo ético em tempo de decisões democráticas.
