Quadro de Tintoretto em Singeverga tema de colóquio

“A Adoração dos Reis Magos” é único quadro do pintor renascentista em Portugal e será alvo de um colóquio no próximo sábado, 17 novembro a partir das 14h30 com a presença de vários especialistas de arte.

A Câmara Municipal de Santo Tirso e o Mosteiro Beneditino de Singeverga vão promover, no sábado, dia 17, o colóquio “Tintoretto – A Adoração dos Reis Magos”. O encontro, que terá lugar a partir das 14h30 na sede do Museu Municipal Abade Pedrosa, irá contar com a presença de historiadores e investigadores na área.

A pintura a óleo com 5,24 metros de cumprimento e 2,25 metros de altura exposta no Mosteiro de Singeverga, Santo Tirso, é a única obra de Tintoretto em Portugal. De acordo com alguns especialistas, esta pode ser, inclusivamente, a obra perdida de Tintoretto com a destruição da Igreja Santo Spirito, em Veneza, no período Barroco.

“A Adoração dos Reis Magos” chegou ao Mosteiro de Singeverga em 2003, mas só em 2005 passou a estar exposta no altar mor da igreja abacial do mosteiro. Antes, permaneceu, durante décadas, na posse dos familiares do banqueiro lisboeta, Jaime Pinho. Já nessa altura, o sobrinho Carlos Pinho fez deslocar a Portugal um especialista da leiloeira Sotheby’s para apreciar a obra, tornando-se a primeira pessoa a atribuir a Tintoretto a autoria do quadro. A pintura acabaria por ser enviada para Singeverga aquando da morte do banqueiro, que manifestou o desejo de que fosse entregue aos monges.

Só mais tarde, por mero acaso, o musicólogo Manuel Morais, especialista em música maneirista (período que se acredita ser o mesmo da pintura), reparou no quadro e contactou o historiador de arte Vítor Serrão, acabado de chegar de uma grande retrospetiva sobre Tintoretto no Museu do Prado, em Madrid.

Vítor Serrão diz não ter dúvidas de que se trata de um Tintoretto autêntico, apurado pelo filho Domenico e pintado entre 1580 e 1590. A opinião é partilhada por Miguel Falomir, grande especialista de Tintoretto do Museu do Prado, e tudo indica tratar-se da obra perdida com a destruição da Igreja do Santo Spirito, em Veneza, no período Barroco.

A linguagem expressa no quadro, o uso da cor, as formas, a execução técnica e o processo criativo são alguns dos elementos que levam à certeza de que se trata de uma das joias da arte italiana.

Para além do quadro presente em Singeverga, Tintoretto pintou mais dois com o mesmo tema. Um deles encontra-se no Museu do Prado, o outro na Scuola Grande di san Rocco, em Veneza.

Jacopo Robusti, mais conhecido por Tintoretto, foi um dos mais radicais pintores do maneirismo. Apelidado de “Il Furioso” pela energia das suas telas e pelos efeitos de luz que incluía tornou-se num dos precursores do Barroco.

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