[OPINIÃO] O dia seguinte

Há exatamente 4 anos votava pela primeira vez numas eleições autárquicas. Apesar de nessa altura não ser militante de nenhum partido, já me identificava com as políticas de esquerda. No entanto, senti pouca convicção na minha escolha e, por conseguinte, pouco representada com o meu voto. A partir daí, num exercício de cidadania, tomei o futuro com as minhas próprias mãos e decidi que havia toda uma geração que merecia sentir-se representada nas eleições autárquicas. De facto, era o momento de agir.

Em 2021, pela primeira vez, o símbolo do Bloco de Esquerda constou dos boletins de voto na nossa cidade. Apesar de se ter verificado uma derrota a nível nacional no que concerne aos resultados do Bloco, uma dessas exceções ocorreu em Santo Tirso. Primeiramente, com mais de 6% dos votos ficamos a 390 votos de eleger uma vereadora na Câmara Municipal. A percentagem de 6,71% na lista da Assembleia Municipal permitiu-nos a inédita eleição de dois deputados municipais – o António Soares e a Ana Rute Marcelino. Além disso, estas eleições trouxeram caras novas nas Assembleias de Freguesia do concelho, nomeadamente na União de Freguesias de Santo Tirso, Couto (Santa Cristina e São Miguel) e Burgães com o Paulo Oliveira e Areias, Sequeirô, Lama e Palmeira com a Tatiana Vilas-Boas. Em ambas as eleições, estes candidatos arrecadaram mais de 8% dos votos.

“No dia 26 de setembro inaugurou-se uma nova página em Santo Tirso, na qual haverá uma força política que exigirá que as promessas de campanha eleitoral do atual executivo se traduzam em medidas que beneficiam a população tirsense”

Ana Isabel Silva

Todavia, uma das más notícias consistiu na abstenção de mais 6591 votantes em relação a 2017. Assim, mais de 43% da população Tirsense não se sentiu representada por nenhuma candidatura e não foi votar. Apesar da continuação, nos próximos quatro anos, de uma maioria absoluta do Partido Socialista, teremos, pela primeira vez, uma Assembleia Municipal mais diversa e mais jovem. Convém notar, igualmente, que, embora em alguns concelhos tenha ocorrido uma viragem à direita, Santo Tirso revelou-se uma exceção em todas as frentes. A falta de proposta da direita e a sua incapacidade de fazer oposição terá obviamente contribuído para tal aumento de abstenção. Percebe-se com estas eleições que a direita não tem projeto político para Santo Tirso. Têm um projeto para eles próprios, onde apenas os lugares interessam e a guerra civil interna é o seu futuro próximo.

Por fim, no que respeita ao meu trabalho e ao da minha equipa, levaremos o combate às alterações climáticas como a luta das nossas vidas. Representaremos todas as pessoas que querem uma casa que o seu salário possa pagar e que queiram receber contas da água suportáveis face ao seu orçamento familiar. Levaremos o direito mais básico de desenvolvimento de ter acesso pleno à água e ao saneamento. Levaremos a igualdade muito a sério. A nossa presença será, assim, sinónimo de permanente escrutínio e de exigência nas políticas públicas. No dia 26 de setembro, inaugurou-se uma nova página em Santo Tirso, na qual haverá uma força política que exigirá que as promessas da campanha eleitoral do atual executivo se traduzam em medidas que beneficiem a população tirsense, nomeadamente nas áreas em que assumimos um compromisso no nosso programa autárquico: trabalho; políticas de igualdade; ambiente e bem-estar animal; habitação e urbanismo; cultura e património, e associativismo, desporto e lazer.

Vamos a isso!

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