[Entrevista] Berta Soares: “Vila das Aves estagnou, parece uma vila fantasma”

Candidata do Bloco de Esquerda quer ‘oportunidade de fazer diferente’ para Vila das Aves. Proximidade é a palavra de ordem para reanimar uma ‘vila fantasma’.

Foi a última das candidaturas do Bloco de Esquerda às freguesias do concelho a ser apresentada. Berta Soares é mais um rosto jovem que comanda a viagem dos bloquistas. Desta feita, por Vila das Aves. ‘Estagnação’ é a palavra que usa para classificar a Vila atualmente. Situação que quer reverter através da proximidade com as pessoas e na dinamização das associações e escolas. Criação de um gabinete de apoio ao cuidador informal é uma das medidas ‘fora da caixa’.

Como é que surgiu esta candidatura do BE a Vila das Aves?

Foi um desafio que nos surgiu por ser a primeira vez que o BE se candidata a autárquicas em Santo Tirso e, principalmente por percebermos que em Vila das Aves existe muito potencial que não está a ser aproveitado.

“Faz falta dar um murro na mesa”

Berta Soares

Em relação a essa ligação entre autarquia e junta de freguesia: os avenses dizem-se muitas vezes vítimas de discriminação por parte da câmara de Santo Tirso. Alinha nesse discurso?

Se os avenses o dizem é porque o sentem. É estranho que assim seja porque o partido político que está na junta de freguesia é o mesmo partido político que gere a câmara municipal. Tenho ouvido falar bem daquilo que foi conseguido durante muitos anos. Se assim foi, sem esse alinhamento partidário, agora deveria conseguir-se ainda mais. Vila das Aves é o segundo polo urbano, não consigo perceber como é que o orçamento que é transferido para a junta de freguesia consegue ser inferior a outras.

 Como é que analisa estes últimos quatro anos?

Esta é a primeira vez que o Bloco se candidata, portanto é mais fácil recorrer à história e ver o que foi prometido e o que foi ou não cumprido. Não acho que haja falta de vontade, mas acho que faz falta dar um murro na mesa.

A reabilitação urbana é promessa assumida quer do presidente da câmara como da junta de freguesia para o próximo mandato. Que necessidades devem integrar este plano?

Primeiramente, os passeios. Eu não consigo imaginar ter um bebé e morar na Vila da Aves. Como é que poderia sair à rua? Ou levar a minha mãe idosa a passear? Depois, perceber os espaços verdes. Onde existe a possibilidade de ter espaços verdes, temos espaços castanhos. A criação de caixotes para dejetos animais. A Vila das Aves foi considerada uma eco-freguesia, mas ainda há muito por fazer na questão do lixo e da recolha de resíduos. Quando vamos ao fontanário da Barca, é flagrante. Não é só uma questão de civismo.

Os resultados preliminares dos Censos apontam para esse decréscimo da população. Como é que se combate esta tendência?

Combate-se isto pensando precisamente no futuro. Se me colocar a pensar em como quero que Vila das Aves esteja daqui a quatro, dez ou trinta anos não quero que esta tendência continue. Uma das formas de o conseguir é precisamente a creche, que está no bom caminho. Fala-se da requalificação urbana e eu espero que realmente aconteça, mas podemos ser uma ponte entre as freguesias, sobretudo na questão dos serviços públicos. É esse tipo de política de proximidade que pretendemos.

A vertente social é claramente uma prioridade desta candidatura, nomeadamente propondo a criação de um gabinete de apoio ao cuidador informal. Porque considera esta uma necessidade?

Considero uma necessidade, porque estou a projetar uma política de proximidade para o futuro. Em Santo Tirso existem 210 idosos para cada 100 jovens. A população é muito envelhecida e os cuidadores não têm voz, sofrem em silêncio e têm necessidade de o partilhar. O apoio domiciliário de proximidade não deve ser feito apenas pela instituição que faz esse trabalho, Lar Familiar da Tranquilidade, mas também por parte da junta de freguesia através da criação do gabinete, da formação dos jovens para o envelhecimento, no apoio jurídico ou até na criação de um plano estratégico de combate à violência doméstica, que tem sido um problema crescente em Vila das Aves.

Com que expectativas é que parte para este processo autárquico?

Eu parto com a expectativa de que na minha equipa encontro as pessoas certas para dar voz aos avenses. Sendo a primeira vez que o BE concorre aqui, se não querem mais do mesmo, por que não dar uma oportunidade a quem nunca teve voz e nunca teve oportunidade de fazer diferente?

[Ler Entrevista Completa na Edição 679 do Jornal Entre Margens]

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