ASAAST é a casa das segundas oportunidades

Vários são os patudos que passam os portões da ASAAST e não saem. Outros saem e são devolvidos. Mas ainda há espaço para finais felizes nesta associação com 15 anos de muitas histórias. Entre animais com depressão, problemas de mobilidade, ansiedade, velhice, entre outros, todos são bem-vindos ao abrigo onde o amor ocupa todo o espaço.

São intitulados de ‘melhor amigo do homem’, mas nem sempre são recompensados pela sua amizade e companheirismo. As notícias ou partilhas em redes sociais sobre maus-tratos ou abandono de animais de estimação são uma constante. A solução, muitas vezes, passa por um abrigo onde são cuidados e o amor que não receberam anteriormente passa a existir. A Associação dos Amigos dos Animais de Santo Tirso (ASAAST) é um desses abrigos. Criada em 2006, o acolhimento, defesa e proteção dos animais do concelho são o mote de atuação desta associação.

O trabalho é realizado em colaboração com o Canil/ Gatil Municipal de Santo Tirso. O Canil é responsável por recolher os animais das situações complicadas em que se encontram. Aqueles com necessidades especiais, como problemas de comportamento, problemas psicológicos ou que estão muito velhinhos e ninguém quer adotar, são levados para a Associação onde se inicia o processo de reabilitação.

Neste momento a ASAAST acolhe 60 cães, o número limite estabelecido, de modo a conseguir dar maior liberdade e qualidade de vida a estes animais. Fazem parte deste número os animais resgatados em 2020 do incêndio da Agrela. Um acontecimento marcante para o concelho de Santo Tirso pelos piores motivos e que conseguiu captar a atenção da comunicação social e da população portuguesa. O alarmismo criado gerou também uma onda de solidariedade que foi desvanecendo com o tempo.

“Naquela altura e, ainda agora, quando aparece uma notícia sobre os incêndios, as pessoas ainda se lembram e falam do assunto, mas não como no início. É preciso ir relembrando que aquilo aconteceu e que continuam a haver casos destes escondidos”, revelou a Presidente da ASAAST, Fátima Meinl.

Elsa e Ana têm 3 e 2 anos, respetivamente, e são parte da história desse acontecimento trágico. Chegaram à associação com sarna, esqueléticas e cheias de carraças. Porém, meigas, queridas e curiosas.

O estado complexo em que chegaram não facilitou a reabilitação, mas agora, quase nove meses depois, encontram-se recuperadas, bem-dispostas e cheias de energia. Como todos os animais da associação, estão desparasitadas, com chip e castradas, mas ainda assim não conseguiram encontrar um lar que as queira acolher.

A preocupação desvaneceu, mas as necessidades de alimentação e cuidados veterinários destes animais continuaram a ter que ser suprimidos. Como muitas associações não-governamentais, conseguir fundos monetários capazes de liquidar estas despesas é uma questão problemática e apenas possível através de apoios externos, que se reduziram, também, com a pandemia. Para tentar combater este problema, a associação criou um sistema de ‘apadrinhamento’ que permite a qualquer pessoa, através do pagamento de uma cota de dez euros/mês, apadrinhar um dos patudos da ASAAST. Este método permite suportar os gastos da alimentação dos animais.

Além da reabilitação dos animais que se encontram na associação, os pedidos de ajuda externos após o início da pandemia tornaram-se uma constante. A ASAAST não quis ficar parada e criou um ‘banco alimentar’ para ajudar essas famílias.

“Temos recebido vários pedidos de famílias que têm animais, gostam deles e os tratam bem, mas com esta situação da pandemia deixaram de ter possibilidade financeira para os criar. Para ajudar essas pessoas, criamos um ‘banco alimentar e estamos a ajudar mais de 40 famílias”

Fátima Meinl

A questão da alimentação não foi o único problema criado pela pandemia, também a formação de voluntários foi suspensa. Ainda assim, existe uma equipa de 14 voluntários ‘fixos’ que asseguram todos os cuidados necessários dos animais da associação.

“Desde que começou a pandemia não autorizamos mais voluntários além daqueles que temos fixos porque o processo de formar voluntários também é um trabalho, especialmente quando estamos a falar de animais com necessidades tão especificas. Queremos esperar que isto melhore para conseguir continuar com esse trabalho”, refere a dirigente associativa.

Apesar de todos estes constrangimentos, o trabalho da associação para a proteção de todos animais continua. Neste momento, uma das maiores preocupações passa por investir nas condições do espaço, nomeadamente na cobertura das boxes onde eles pernoitam.

Mas nem tudo são problemas. A pandemia, apesar das dificuldades que conseguiu criar, também foi uma fonte de aprendizagem. Para Fátima Meinl, em Santo Tirso, as pessoas tornaram-se mais recetíveis à companhia animal.

“Quem abandona um cão uma vez vai voltar a fazê-lo. Com a pandemia, o que comecei a notar é que as pessoas começaram a ter mais sensibilidade para as adoções. Talvez pela necessidade de companhia, talvez por estarem mais tempo sozinhas”

Ainda assim, a questão da ‘mudança de mentalidades’ continua imperativa. Fátima deixa o apelo para que as pessoas se interessem e conheçam o trabalho, não só da ASAAST como de outras associações locais. Depois de conhecerem ajudem para que seja possível essas associações prosseguirem com o seu trabalho.

“Se as pessoas vierem adotar, conseguimos ir libertando espaço para entrarem mais cães. Isto vai rodando, mas é preciso que os animais sejam adotados. Não deixar os animais caírem no esquecimento, ficarem anos e anos nas associações e haver mais abertura das pessoas para conhecerem. Reforçar também a importância da esterilização, que é algo que já se está a fazer em Santo Tirso e é preciso continuar a investir nisso em todo o país”, rematou.

[Reportagem da edição 669 do Entre Margens]

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