re.LER, um alfarrabista dos tempos modernos

Um alfarrabista, uma carrinha e (muitos) livros formam o re.LER, um projeto ambulante onde é possível comprar, doar ou trocar livros. A mente por trás do projeto é Marco Aurélio Costa e, claro, o seu amor pelos livros.

A leitura é fomentada na escola desde tenra idade. Mesmo quando ainda nem se sabe ler. É um princípio básico de existência de qualquer pessoa. Há quem a continue a fomentá-lo ao longo da vida, há quem se perca pelo caminho e há ainda quem goste de partilhar o amor por este hobbie com outros. É aqui que entra Marco Aurélio Costa.

“O essencial é o amor aos livros”. Foi assim que Marco Costa começou por descrever ao Entre Margens o projeto que criou em 2014. ‘re.LER’ consiste numa carrinha com centenas de livros usados que são vendidos a quem lhes quiser continuar a dar vida.

Tudo começou quando uma lista ‘daquelas dos 100 livros que devemos ler ao longo da vida’ chegou às mãos do professor. Iniciou-se assim o projeto ‘Discovery-Livros e Cª’.

“Fui encontrando várias listas assim e, entretanto, surgiu a ideia de adquirir cem livros e divulgá-los. As pessoas podiam adquirir aqueles livros a um preço muito reduzido, podiam voltar a devolvê-los e levar outro”, explicou Marco Costa.

Faz todo o sentido nos dias de hoje termos um livro a ser lido por várias pessoas, em vez de estarmos todos a comprar o mesmo livro

Marco Aurélio Costa

A premissa inicial manteve-se, mas o projeto foi evoluindo com o tempo. No início eram cem livros dentro de uma arca. “Era como se fosse um tesouro”, dizia. Com a sua arca e o seu jipe, Marco percorreu diversas feiras urbanas e a lista foi aumentando: as pessoas perguntavam por mais livros, as listas que ia encontrando não coincidiam e a arca começou a esbordar. Deu-se então a aquisição da carrinha do estilo Gulbenkian.

O verde-água que lhe dá cor não passa despercebido em lugar algum. Mesmo para aqueles que nem estão muito interessados na leitura, a curiosidade fala mais alto. Um alfarrabista dentro de uma carrinha assim é incomum, mas possível. Alfarrabista, essa profissão longínqua associada ao senhor velhinho de barba grisalha e fechado no seu casulo coberto de livros. Marco está longe de representar esta realidade, mas o ‘re.LER’ representa bem a mensagem que o professor quer transmitir. “re.LER faz sentido porque, de certa forma, é reciclar a leitura. Faz todo o sentido nos dias de hoje termos um livro a ser lido por várias pessoas, em vez de estarmos todos a comprar o mesmo livro”, esclareceu o alfarrabista.

[Ler a reportagem completa na edição 675 do Entre Margens]

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