[Entrevista] Carlos Alves: “Nesta [gestão] só vejo operações de cosmética”

Candidato da coligação ‘Valorizar Mais’ diz-se um ‘cidadão comum’ capacitado para resolver os ‘problemas da pessoa comum’. Desde a sinalética, passando pelo investimento no desporto e chegando à valorização do turismo local.

Parque do Amieiro Galego, Vila das Aves

Foi considerado a escolha surpresa para a candidatura às eleições autárquicas de setembro, Carlos Alves, candidato pela coligação PSD/CDS, apresenta-se com uma ‘visão estratégica a dez anos’, afirmando ser exatamente o que falta ao concelho- uma visão e planeamento a longo prazo.

O Parque do Amieiro Galego foi o local escolhido para a realização desta entrevista. Um lugar emblemático de Vila das Aves escolhido como forma de ‘valorizar um espaço e uma obra feita pelo PSD’. O candidato pretende mostrar aos eleitores que, quando se tem uma equipa capacitada, é possível ‘fazer coisas boas’.

Turismo é apontado como necessidade primordial. Dar a conhecer os diferentes espaços do património cultural tirsense, ‘em primeiro lugar’ às pessoas de Santo Tirso para depois passar à visão exterior. Desporto é também visto como ‘cartão de visita’ para Santo Tirso, como tal, uma aposta necessária para o concelho.

A sua escolha para encabeçar a lista da coligação PSD/CDS à Câmara Municipal foi surpreendente para muita gente. Foi surpreendente também para si?

Sim, foi uma surpresa. Nunca andei a trabalhar para me posicionar como candidato da coligação. Nesse sentido, foi uma surpresa quando na Comissão Política do PSD lançaram o meu nome e ainda mais surpresa quando o CDS concordou. No entanto, como diz a Quitéria Roriz, só os mais distraídos é que achavam que eu não poderia ser um candidato e um bom candidato. Espero que ela tenha razão.

Mas sente-se preparado para assumir o desafio?

Sinto aquilo que é andar no trânsito e nas estradas de Santo Tirso, sinto aquilo que pago de impostos, na água e, portanto, sinto-me preparado para tentar resolver todos esses problemas que são os problemas da pessoa comum.

Quando olha para a realidade do concelho, o que é que salta à vista ao agora candidato Carlos Alves?

Santo Tirso é um concelho com uma coisa muito positiva: as suas pessoas e a capacidade que elas têm em estar ligadas às associações. Há um bairrismo nas diferentes freguesias por aquilo que são as associações locais.

Em termos negativos, temos a estagnação. Quando cá cheguei, Santo Tirso era um concelho muito semelhante a Vila Nova de Famalicão. Passados estes anos vemos que Famalicão é cada vez mais superior a Santo Tirso quer em termos de cultura, educação ou investimento público. Santo Tirso tem exatamente a mesma imagem de há 20 anos. Fez-se alguma coisa, mas no essencial, fez-se muito pouco. Não podemos andar a fazer obras de quatro em quatro anos apenas para ganhar eleições.

Alberto Costa e Joaquim Couto têm estilos e visões bastante diferentes. Essa diferença tem sido notória?

Um foi vice-presidente do outro e disse sempre que sim. Quando eu digo que sim a tudo o que uma pessoa faz é porque concordo com ela e me revejo na sua linha de atuação.

É óbvio que o Alberto Costa está a tentar seguir uma linha diferente, exatamente para tentar descolar-se daquilo que é a atuação de Joaquim Couto. Mediante todos os factos conhecidos, há aqui uma tentativa de passar uma imagem mais agradável e simpática, mas que no fundo é a mesma coisa. É o pai e o filho, se assim pudermos chamar. Eles até crescem lado a lado. Sinto que é uma operação cosmética para tentar ganhar umas eleições.

Para quem não conhece o Carlos Alves, como é que se apresentaria aos tirsenses? Qual é a característica que melhor o define?

Sou uma pessoa normalíssima como todas as outras. A minha grande vantagem é a capacidade de ouvir e perceber aquilo que podem ser as mais valias das pessoas para este concelho. Não quero saber se é do Partido X ou Y, se for uma mais-valia, seja bem-vindo. Sou professor, trabalho com jovens e acho que as dinâmicas, o espírito da juventude é essencial.

O que tem faltado ao PSD para conquistar a câmara municipal?

O que tem faltado ao PSD é o que eu neste momento acuso a câmara de falhar há quarenta anos: falta de estratégia e visão a longo prazo. A única vez que isso aconteceu foi com João Abreu. O PSD precisa de saber onde quer estar daqui a dez anos.

Com que expectativas parte este processo eleitoral?

Temos uma visão estratégica a dez anos. Se me perguntar se vai resultar, temos que esperar para ver. Um passo de cada vez. O primeiro patamar são as eleições de 26 de setembro e depois, mediante o aquilo que é a análise dos resultados, vamos delinear o restante. Ou fazemos ajustes ou continuamos o caminho.

[Ler a entrevista na íntegra na edição 676 do Entre Margens]

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