Mosteiro de Santa Escolástica será centro de retaguarda com 30 camas disponíveis

Centro Distrital de Retaguarda para doentes não covid abrirá apenas se a oferta disponível em outras duas localizações esgotar. Mosteiro de Roriz disponibiliza 30 camas.

A criação desta estrutura foi anunciada ontem, quarta-feira, em Valongo, pelo presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil e da Câmara de Gondomar, Marco Martins, e visa “aliviar a pressão” registada em hospitais devido à pandemia de covid-19, adiantou o Jornal de Notícias.

Este centro de retaguarda para doentes não infetados com o novo coronavírus que estão em condições de sair do hospital, mas não têm retaguarda familiar ou condições em casa ou nas instituições onde habitam, junta-se a uma lista de três espaços que já tinham sido anunciados: os centros para doentes covid-19 em Valongo e em Paços de Ferreira e a Pousada da Juventude do Porto, esta para doentes não covid.

“Há mais dois espaços preparados para serem colocados a funcionar. Funcionarão quando estes deixarem de ter capacidade. Faltam apenas recursos humanos, que é algo que em 12 horas se resolve”, disse Marco Martins, que esta quarta-feira acompanha o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Sales, e o secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro, em visitas e reuniões no distrito do Porto.

Sobre o centro que está a ser montado no Mosteiro de Santa Escolástica, em Roriz, o também autarca de Gondomar disse que terá capacidade para “cerca de 30 pessoas” que tenham teste negativo ao novo coronavírus e funcionará com normas semelhantes às da Pousada da Juventude, no Porto, que também poderá acolher a partir desta quarta-feira doentes não covid-19.

Quanto à adaptação de uma parte do antigo hospital da Misericórdia de Paços de Ferreira, na região do Tâmega e Sousa, intenção que tinha sido anunciada a 30 de outubro, essa servirá para 35 doentes.

Já o Centro Distrital de Retaguarda covid-19 do Porto no Seminário do Bom Pastor, em Ermesinde, concelho de Valongo, tem capacidade instalada para 50 doentes, podendo chegar às 80 camas, mas esta quarta-feira Marco Martins admitiu que os recursos humanos atuais “só permitiriam acolher 25 doentes”.

“Neste momento estão sete [doentes] e em simultâneo estiveram no máximo 10 (…). Santo Tirso e Paços de Ferreira estão prontos e montados para quando e se a capacidade do Porto [Seminário do Bom Pastor e Pousada da Juventude] esgotar”, esclareceu.

“Têm [os profissionais de saúde] de ter muita disponibilidade e há muita gente que não se adapta. Têm de ter estômago. Ao virem para cá, têm de ter consciência de que vão apanhar de tudo e pouco. Hoje um doente está muito bem, mas amanhã pode estar mais frágil. São pessoas que foram caçadas por um vírus e já antes eram vulneráveis ou viviam em condições difíceis”, referiu a responsável pelos auxiliares de ação médica daquele centro, Stephanie Leitão.

Depois de acompanhar uma vista às instalações reservada aos repórteres de imagem, Stephanie Leitão contou aos jornalistas que “alguns profissionais” recrutados pela Segurança Social, através da Cruz Vermelha, “não chegaram a ficar e tiveram de ser substituídos”.

Em causa estão estruturas criadas no distrito do Porto para doentes, infetados ou não com o novo coronavírus, que não tenham retaguarda ou condições em casa ou nas instituições onde vivem, mas que possam sair do hospital, aliviando assim a pressão que as unidades de saúde registam com a pandemia da covid-19.

“Tentamos com isto descongestionar a pressão dos hospitais. O que queremos é rapidamente ajudar a resolver esta crise. As autarquias têm colaborado muito. Estas estruturas são solicitação da ARS-N [Administração Regional de Saúde do Norte] à Proteção Civil Distrital”, referiu o autarca de Gondomar, que falava ao lado do presidente da câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, quando ambos aguardavam a chegada do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, e do secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro.

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