Valente ganha em eleições inéditas

 

Forte afluência às urnas marcou um ato eleitoral que ficará nos registos da associação, naquela que foi a primeira eleição a ser disputada por duas listas.

Na solarenga tarde de sábado, 2 de dezembro, na sede da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila das Aves (AHBVVA), a fila para votar irrompia pela via pública. Ao contrário do que até agora sucedera, nos seus quarenta anos de existência, duas listas apresentaram-se a votos.

A expectativa e a ansiedade eram palpáveis nos associados que acorreram às urnas e a razão era simples: as semanas que lhe antecederam, em modo de campanha eleitoral, foram hostis entre ambas candidaturas. As redes sociais, método universal de combate político nos dias que correm, foram constantemente bombardeadas com mensagens de conteúdo político, mas também de ataque pessoal, como se o fervor das recém-realizadas autárquicas se tivesse mantido subcutaneamente nos protagonistas e respetivas “cortes”, manifestando-se em forma concentrada.

De facto, a imprevisibilidade do resultado, tendo em conta a afluência popular, deixou em suspenso todos aqueles que se mantiveram nas imediações para a contabilização total dos votos. Os resultados esses, surgiram por volta das 21 horas. Contabilizados os 835 votos, cerca do dobro de votantes do último ato, a Lista A vencia a eleição com 460 votos, contra os 362 da Lista B, sendo ainda contabilizados 2 nulos e 5 brancos. Carlos Valente era reeleito para mais um triénio à frente dos destinos da Associação Humanitária.

Uma nova etapa começa

A cerimónia de tomada de posse e consequente início de novo triénio foi uma sessão de auto congratulação, com o Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários de Vila das Aves a acolher pouco mais do que aqueles que fizeram o juramento de lealdade, com a falta notada de elementos da lista vencida, num sábado marcado pelo mau tempo e futebol à mesma hora.

“Uma cerimónia simples e honesta”, assim a classificou Adalberto Carneiro, mestre-de-cerimónias, novamente empossado como presidente da assembleia-geral da Associação Humanitária.

“Quero pedir desculpas na eventualidade de alguma coisa não ter corrido da melhor forma”, reconheceu Adalberto Carneiro, em referência às críticas que lhe foram sendo dirigidas durante a semana entre o ato eleitoral e a tomada de posse pela forma como decorreu a votação. Segundo os estatutos da associação, o voto deve ser efetuado perante o presidente da assembleia-geral o que, seguindo à letra, se traduz na existência de apenas uma urna, facto que perante a afluência se tornou impossível de gerir. “Procurei sempre cumprir com o estatutariamente estabelecido e com o que a minha consciência ditou como mais justo e isento”.

O reconduzido presidente da assembleia deixou uma mensagem de união em torno do bem-estar da Associação Humanitária entre todos aqueles que se candidataram às eleições de dia 2 de dezembro. “Foram muitos os que se disponibilizaram para servir a Associação, que sejam os mesmos e muitos mais aqueles que de hoje em diante se mantenham disponíveis para a engrandecer”, disse.

“Se o que nos move a todos é o serviço público e o bem comum, está na hora de o demonstrar”, concluiu antes de empossar os membros que darão cara pelos órgãos gerentes no triénio que se segue.

Por seu lado, Carlos Valente mais recatado nas palavras do que é usual nas suas intervenções públicas, apontou um caminho de “continuidade do trabalho realizado” nos próximos três que serão “certamente difíceis.”

Valente já colocou mãos à obra neste período pós eleições, deixando bem claro em reunião com o corpo de bombeiros que este Comando, liderado por Hugo Machado, ficará até ao fim do mandato. “Este será o nosso Comando até ao fim do mandato com total confiança da direção”, anunciou com os representantes na assistência.

Quanto à clínica, o presidente da direção afirma que “ao contrário do que querem fazer passar para a praça pública, a clínica tem tido um crescimento razoável, dentro daquilo que é a casa que temos”, sublinhando que o trabalho lá realizado sustenta a Associação Humanitária. “A clínica está a trabalhar para todos nós, essencialmente para podermos dar ao corpo de bombeiros tudo o que é necessário”, garantiu.

Quanto a objetivos, Carlos Valente assegura que é apenas um: “queremos dar o melhor à nossa corporação seja em formação, seja em equipamentos, seja também no parque automóvel. Queremos dar as melhores condições para poderem exercer a vossa atividade no serviço à comunidade como é vosso papel.”

Depois de um mandato onde a prioridade foi o equilíbrio financeiro da Associação Humanitária, Carlos Valente enfrenta agora um conjunto de expectativas diferente. Na entrevista pré-eleitoral que concedeu ao Entre Margens, referia que tinha bem definidas as prioridades para o triénio que agora se inicia. “Se neste próximo mandato conseguirmos fazer os balneários, renovar a central, comprar um camião-tanque e manter o dia-a-dia da associação nunca faltando com nada teremos com certeza um mandato de sucesso até 2020”.

Uma coisa é certa, esta eleição mostrou que a Associação Humanitária está viva e consegue mobilizar a população abrangida pelos seus serviços. Da sua parte, Carlos Valente diz que “conta com todos para poder realizar o mandato da melhor maneira”: “todos juntos vamos trabalhar.”

A assembleia-geral estatutariamente obrigatória para o final do ano, para aprovação do orçamento e plano de atividades, está marcada para o próximo dia 19 de dezembro pelas 20h30.

Como disse Adalberto Carneiro, em jeito de conclusão, a eleição terminou: “Eleitos, cumpram a vossa missão.”

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