Histórico bilhete para o Jamor carimbado com muito suor

No relvado ficou tudo. O Caldas deixou os avenses com os corações nas mãos quando ao minuto 55’ igualou a eliminatória. No final a superioridade da equipa da primeira liga fez-se valer e os pés de Vítor Gomes desfizeram as dúvidas. O Clube Desportivo das Aves vai ao Jamor. Fez-se história nas Caldas da Rainha.

Foi preciso sofrer. Foi preciso batalhar. No campo da Mata, terreno até agora encantado para os homens da casa, o Desportivo das Aves precisou de prolongamento para confirmar a presença na final do Jamor. Um jogo de emoções fortes, disputado num ambiente transcendente, onde a narrativa David contra Golias quase originou um milagre e o peso do favoritismo inibiu os jogadores avenses.

José Mota jogou pelo seguro, desde o apito inicial o sinal era claro para os seus jogadores: calma. Contudo, a mensagem do treinador ia-se perdendo na atmosfera do jogo. A ansiedade era palpável e influenciou decisivamente a qualidade do futebol praticado. O Caldas SC galvanizado controlava a posse de bola, não permitia aos ‘avenses’ sair em jogo corrido. O resultado desta equação de poderes foi uma primeira parte intensa, muito disputada mas sem oportunidades de golo de relevo.

No início da segunda parte, mais do mesmo, ou pelo assim pareceu. Tudo se virou do avesso quando na sequência de um canto na esquerda do ataque do Caldas, Jorge Fillipe, central brasileiro do Aves, salta mais alto que toda a gente, mas introduz a bola na própria baliza. Ao minuto 55’, tudo ficava empatado e o Desportivo teve que mudar o chip.

José Mota colocou Braga em campo por troca com o desinspirado Fariña e a bola passou a circular melhor. O trio Tissone, Vítor Gomes e Braga ganhou protagonismo e o Caldas foi retraindo. À passagem do minuto 70’, mais artilharia com a entrada de Hamdou Elhouni, rápido extremo líbio em detrimento de Nildo.

Os minutos seguiam-se, inexoráveis ao mesmo que a condição física dos atletas caldenses ia esmorecendo. A intensidade na pressão e na cobertura do espaço já não existia. Por esta altura sobrevivia-se a pensar no prolongamento que acabou por chegar após cinco longos minutos de compensação.

No tempo extra, já ni ninguém conseguia camuflar a quebra física e o desgaste mental de uma partida com tamanha carga simbólica. No final de contas, o que estava em disputa era mais do que a presença na final da Taça de Portugal. Ficar para sempre ligado à memória coletiva de duas comunidades tremendamente orgulhosas. Espaço que, para já está reservado a Vítor Gomes.

O médio pés de veludo, no seu primeiro ano na Vila das Aves, tem sido o motor criativo da equipa durante todo o ano e ali, no momento decisivo, resolveu o encontro. Primeiro, ao minuto 97’, na sequência de um canto, a bola é ganha de cabeça por Jorge Fillipe, bate em Tissone e sobra para V. Gomes que na pequena área só teve que encostar.

Golo que parecia suficiente, devido à lei dos golos marcados fora de casa, só que dois minutos após o apito para a segunda metade do prolongamento, o virtuoso ‘sacou’ um brilharete. Saída extemporânea de Luís Paulo dos postes com o corte a ficar incompleto e a cair na zona de ação de Vítor Gomes que de primeira, sem deixar a bola cair, rematou à meia volta fazendo a bola sobrevoar o guardião caldense e entrar na baliza deserta.

Até ao final, o Desportivo ainda teve um golo anulado por fora de jogo, mas a eliminatória estava fechada. O sonho terminava para o Caldas e confirmava-se para o Aves. História escreveu-se com muito suor, numa daquelas partidas que define a expressão “fez-se taça”. Nas Caldas fez-se taça e os pupilos de José Mota esperam continuar a fazê-lo no próximo dia 20 de maio perante um Estádio Nacional repleto frente ao Sporting.

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