Margem mínima deixa tudo para resolver nas Caldas

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Foto: Vasco Oliveira

Desportivo foi melhor, mas não conseguiu traduzir a superioridade em golos. O Caldas assustou nos minutos iniciais e colocou os avenses em sentido. Jamor está à vista, mas para isso é preciso passar na ‘Mata’.

Numa meia-final totalmente inédita, novidade para ambas as formações, o VAR foi protagonista de um encontro onde quer Aves, quer Caldas, se dispuseram a ir à procura do golo e aqueceram uma noite gélida de bancadas bem preenchidas.

Logo a abrir, o Caldas mostrou ao que vinha e não se deixou intimidar pela superioridade aparente da equipa primodivisionária. João Rodrigues, miúdo conhecido no futebol por Tarzan, não acusou o momento e decorridos 50 segundos, driblava por entre a defensiva do Aves e criava perigo com um remate que saiu perto do poste da baliza de Quim. Pouco depois foi experiente avançado Pedro Emanuel que ganhou um ressalto à entrada da área e de imediato rematou com a bola a passar novamente muito perto.

No primeiro quarto de hora o Caldas foi superior e ao minuto 12’, mais uma vez o irrequieto e inspirado João Rodrigues, fez a cabeça em água à linha defensiva do Aves, combina muito bem com Filipe Ryan que serve com conta, peso e medida Pedro Emanuel para aquela que talvez tenha sido a jogada mais perigosa do encontro.

Daí em diante, o Desportivo assentou as suas ideias e controlou a partida, limitando o adversário a contra golpes. A velocidade de Amílton pela faixa causou sempre desequilíbrios e só o fraco aproveitamento no último terço impediu o resultado de se alterar.

À passagem do minuto 23’, o árbitro Gonçalo Martins assinalou grande penalidade na área dos visitantes por corte com o braço do defesa caldense. Chamado a bater, Paulo Machado atirou colocado em direção ao poste direito da baliza, mas Luís Paulo esticou-se e com uma grande defesa segurou o nulo. Nos minutos seguintes a pressão avense aumentou e o Caldas sofreu, mas só aos 30’ cedeu.

Lance na grande área do Caldas com o VAR a considerar o contacto entre Luís Paulo e Derley falta merecedora de grande penalidade que o árbitro de campo concedeu. Desta feita, Nildo Petrolina foi chamado a converter o castigo máximo, inaugurando o marcador.

Até ao intervalo, um CD Aves mais confiante foi controlando a partida com Nildo a desperdiçar uma oportunidade de ouro, isolado nas costas da defesa, tentou o chapéu ao guardião, quando tinha Amílton completamente sozinho do lado contrário, pronto para encostar.

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Foto: Vasco Oliveira

No segundo tempo, mais do mesmo. Desportivo das Aves por cima, Caldas a tentar ferir os avenses e jogadas rápidas conduzidas por João Rodrigues e Filipe Ryan sempre atentos às movimentações de Pedro Emanuel. Nos anfitriões José Mota injetava energia no jogo com a entrada de Arango e Hamdou.

No primeiro lance em que tocou na bola o colombiano, ganhou em velocidade a toda a defesa do Caldas e atirou forte às malhas laterais. O mesmo aconteceu com o marroquino que encontrou espaço à entrada da área e rematou em arco para mais uma excelente defesa de Luís Paulo.

O Caldas tentava ameaçar, mas já sem o poder físico dos primeiros minutos. Com alguns sobressaltos é certo, mas o encontro chegava ao fim. Vantagem mínima para a segunda mão. O Desportivo das Aves não pode estar confortável para a partida a realizar na ‘Mata’.

Na conferência de imprensa, José Mota realçou que este jogo demonstra que “não existem jogo fáceis”. “Quem pensava que ia ser fácil, pensou errado. Eu sabia que não ia ser”, assegurou o técnico avense.

“Fomos melhores, merecemos vencer, tivemos as melhores oportunidades, mas faltou concretizar”, analisou José Mota que teceu elogios ao Caldas por ter sido “uma equipa corajosa”, garantindo que os seus jogadores vão estar preparados para o jogo da segunda volta. “Está tudo em aberto. O resultado de um a zero é positivo porque marcamos e não sofremos e agora o nosso adversário terá que ter uma atitude diferente no próximo jogo.”

José Vala mostrou-se muito satisfeito com “a excelente imagem” que a sua equipa e os seus jogadores deixaram não só de si como do Campeonato de Portugal. O treinador caldense considerou “o resultado justo” que deixa tudo para decidir na segunda mão.

“Estamos a viver um sonho, estamos a sentir isso e a atingir os nossos limites”, comentou, deixando ainda um aviso. “Temos o nosso lema, ninguém passa na Mata e queremos fazer com que isso seja uma realidade.”

A segunda mão joga-se a 18 d abril no Campo da Mata, Caldas da Rainha.