S. Miguel de Entre Ambos os Aves

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por Luís Américo Fernandes

Festa antecipada do padroeiro S. Miguel- razões que se prendem com as eleições do próximo domingo 1 de outubro levaram a comunidade paroquial a antecipar para o domingo de ontem as celebrações públiicas tradicionais. Pela primeira vez em muitos anos a responsabilidade institucional da sua organização não passou pela quase centenária Associação de S. Miguel Arcanjo, recentemente extinta por razões que já foram suficientemente faladas mas ainda assim a honra do padroeiro destas terras de S. Miguel dos Aves ou de Entre Ambos os Aves foi condignamente salvaguardada por obreiros da primeira e da última hora. A ” polis” encarniçadamente empenhada na Campanha Autárquica quase descansou por aqui para permitir que as atividades e devoções que nos vêm dos antepassados fosse feita sem interferências indevidas. E lá houve a habitual procissão da tarde com o rufar de tambores e caixas dos escuteiros, os andores dos santos transportados pelos seus devotos, duas bandas de música a concluir a romagem com os fregueses assíduos. E como não há festa sem o habitual despique das bandas e cada qual com grande afinidade às nossas terras do vale dos Aves (respetivamente a de Riba d’ Ave e a de Vizela) também este arraial teve expressão razoável e confraternização musical digna mesmo com chuva miudinha; diga- se no entanto que nem que fosse pela juventude vinda das nossas escolas profissionais de música que nelas brilham, pelos temas que tocam, peças clássicas sempre aplaudidas nestes despiques mas também melodias do rock português e “lusitanidades”que nos estão no ouvido, esta literacia musical merecia muito mais audiência e notoriedade. Houve ribombar de fogo, lágrimas de artifício no final das bandas mas o que mais me encheu a vista ainda foi o momento que um vídeo testemunha de um aparato de fogo fixo em que de uma simulada capela a arder e a projetar fogo e bichas resultou apenas a efígie emoldurada do Arcanjo.

 

Entretanto aproximava- se a hora do grande jogo da noite que opunha, deixem-me dizer assim, ambos os “avenses”, rio Ave acima, rio Ave abaixo, e, com tanto fogo um amigo até comentou o seguinte: “- Os adeptos do Vila do Conde a chegar e logo dirão que os avenses já comemoram antecipadamente a vitória!” O resultado final acabou por ser empate a zero mas se fosse a vitória do CDA seria mais que justa mas aqui já não está o Santo para ajudar. Fique no entanto para memória futura aquela polémica de há uns dez anos aquando da edição do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporánea que insígne Academia de Ciências de Lisboa coordenou e editou em que (e podem lá ir ainda confirmar!)o termo gentílico “avense” veio equivocamente considerado como sendo “adepto do Rio Ave futebol Clube”, com citações recursivas de jornais desportivos. Eu próprio em nome do jornal Entre Margens protestei junto da Instituição que prometeu corrigir esta injustiça por ocasião de uma reedição. Acrescento isto para que os nossos mais jovens e menos jovens candidatos à autarquia não esqueçam estes pormenores da nossa literacia que não são menores. Estamos hoje mais expostos e com mais visibilidade mas também não nos iludamos com mundividências fantasistas de que Vila das Aves é chinesa, mesmo quando o capital não tem pátria nem terra.
E voltemos com o máximo de empenho à Campanha pelo nosso próximo futuro sem as baixezas da última hora, com civilismo mas também sem servilismos anacrónicos. O povo que somos lá estará no próximo domingo para eleger e confirmar os que, para já, são meros candidatos indicados pelas representações politicas e que merecem ser considerados pela generosidade e propostas de empenho pela “causa ou coisa” pública.